
Segundo o inquérito da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) sobre a Operação Gota d’Água, integrantes do grupo criminoso que atuava no Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE-VG) faziam ameaças e intimidação. Em um dos casos um consumidor foi cobrado em R$ 7 mil por um serviço. Ele procurou o Procurador-Chefe do DAE para falar sobre o caso. Tanto o consumidor, quanto o servidor foram intimidados depois disso.
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Este caso ocorreu em abril de 2024. A vítima A.B.R. buscava a extensão da rede para um terreno que tem com sua ex-convivente no bairro Nova Várzea Grande. Eles foram informados que a rede de água não chegava até o imóvel e seria necessário aguardar o DAE passar a rede por lá.
Após esta resposta, A.B.R. buscou seu conhecido Alex Sandro Proença, vulgo “Lelé”, (suposto integrante do segundo escalão do grupo criminoso) que estava lotado na Agência do Centro da Diretoria Comercial do DAE. Alex teria dito que resolveria a situação.
Dias depois Alex disse à vítima que a solicitação de extensão de rede foi pauta de reunião na Diretoria Comercial. Além do contato com Alex, o consumidor revelou que, paralelamente, conversou sobre o caso com seu amigo seu, que é amigo de infância de Alessandro Macaúbas Leite de Campos (um dos líderes da organização criminosa). Este amigo disse que solicitaria ajuda de Alessandro.
No dia seguinte a vítima encontrou Alex Sandro em um bar e, na ocasião, o servidor disse que o serviço solicitado custaria R$ 7 mil e deveria ser pago à vista. O consumidor, porém, se recusou a pagar.
A.B.R. afirmou que achou estranho o fato do valor ter que ser pago para Alex Sandro e não diretamente ao DAE e falou para ele que iria verificar a cobrança com outro amigo seu, R.D.B., que era Procurador-Chefe do DAE. Ao ouvir isso Alex Sandro teria dito “R.D.B. não manda p**** nenhuma no DAE”.
O consumidor descreveu toda a situação para o Procurador-Chefe, que lhe informou que o DAE não cobra valores para o serviço, colocando no consumidor a responsabilidade por fazer a compra dos materiais. Disse também que o calor cobrado era indevido já que não há necessidade de pagar pela mão de obra do DAE.
Em outra situação A.B.R. estava confraternizando com seu amigo que conhece Alessandro e lhe contou sobre a cobrança de R$ 7 mil. Este amigo então teria mandado mensagem para Alessandro, pois achou o valor absurdo.
Posteriormente o consumidor encontrou novamente este amigo em um bar, que lhe revelou que “o pessoal do Comercial do DAE” estava bravo com ele e com o Procurador-Chefe por terem denunciado a questão da cobrança.
A.B.R. explicou que foi Alex Sandro quem lhe disse que poderia relatar a cobrança ao servidor. O amigo, porém, disse “Alessandro mandou avisar que onde ele encontrar o Renan, vai acabar com o R.D.B.”.
Ao tomar conhecimento da situação o Procurador-Chefe procurou a Deccor e encaminhou uma mensagem dizendo “não sei o desenrolar das investigações mas reitero que temo por minha segurança”. O consumidor também revelou sentir medo dos servidores do DAE, por saberem o terreno onde mora e quando ele fica sozinho. Ainda disse temer por sua segurança por causa da influência que Alessandro possui em Várzea Grande.

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