IBGE: 21,5% dos adolescentes de MT sentem que a vida não vale a pena

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Um cenário de alerta surge para a saúde mental de adolescentes em Mato Grosso. Dados levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que 21,5% dos estudantes no estado, com idades entre 13 e 17 anos, afirmaram sentir “sempre” ou “na maioria das vezes” que a vida não vale a pena ser vivida. 

O percentual, realizado com base na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2024, coloca Mato Grosso acima da média nacional para a mesma faixa etária, que é de 18,5%. Quanto ao recorte por sexo, há uma clara diferença significativa: entre os meninos, o índice é de 14,5%; enquanto entre as meninas, é praticamente o dobro, chegando a 29,2% de jovens que consideraram que a vida não vale a pena. 

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Autoavaliação negativa da saúde mental

Segundo o levantamento, o sentimento persistente de tristeza é um indicador clássico para uma investigação de quadros depressivos. Quanto a esse indicativo, foi apontado que 29,4% dos jovens mato-grossenses responderam sentirem tristeza na “maioria das vezes” ou “sempre” durante os últimos 30 dias que antecederam a pesquisa.

Os dados também mostram que 15,2% dos adolescentes em Mato Grosso avaliaram sua saúde mental como negativa, considerando respostas frequentes de sentimentos como: preocupação com as coisas comuns do dia a dia (42,5%); se sentirem irritados, nervosos ou mal-humorados (41,9%); sentirem vontade de se machucar de propósito (34,1%); e possuírem a percepção de abandono – seja por não possuírem amigos próximos (6,2 %) ou por sentirem que ninguém se preocupa com eles (25,9%). 

Imagem gerada por Cecília Nobre, utilizando IA

“A percepção do indivíduo de que se é importante para alguém, de que se faz parte de algo, por exemplo, é relevante para sua saúde e bem-estar mental e social. O ser humano desprovido de sentimentos como apreço e pertencimento tende a apresentar comportamentos de tristeza, desesperança etc. (Baumeister; Leary, 1995)”, diz trecho do levantamento. 

Disparidade de gênero

Assim como apresentado no indicador de que “a vida não vale a pena ser vivida” – tratado como um dos sinais mais sensíveis dentro da análise de saúde mental juvenil -, a disparidade entre os sexos permanece em todo o levantamento. Um exemplo é a autoavaliação negativa da saúde mental, sendo 7,3% correspondente aos meninos e 23,7% entre as meninas. Tais números reforçam o padrão consistente de maior vulnerabilidade emocional entre adolescentes do sexo feminino.

“É notável que foram as meninas a se sentirem mais tristes, mais preocupadas, mais irritadas, nervosas ou mal-humoradas, que mais se machucaram intencionalmente, que mais perceberam que ninguém se preocupava com elas e que mais sentiram que a vida não valia a pena ser vivida. Apenas quanto ao número de amigos é que as meninas ficaram em posição superior aos meninos, quando eles relataram mais frequentemente que elas não terem amigos próximos”, destaca o levantamento. 

Imagem gerada por Kethlyn Moraes, utilizando IA  

A análise indica ainda que o Brasil precisa ampliar os investimentos em saúde mental de adolescentes, com atenção especial às meninas. Segundo o entendimento, é urgente a criação de políticas públicas que considerem as diferenças entre os sexos, a fim de garantir o bem-estar das mulheres e preservar sua contribuição para a economia, a sociedade e o Estado.

“É importante compreender como o adolescente brasileiro está lidando com esse tipo de emoção porque, para além de relacionamentos interpessoais, isso se traduz em políticas públicas envolvendo saúde e educação para essa população”, aponta o estudo.

Busque apoio!

Se você estiver precisando de ajuda, fale com um dos voluntários do Centro de Valorização à Vida (CVV), um projeto que fornece apoio emocional e prevenção do suicídio, por meio do número 188, cujo atendimento é 24 horas, todos os dias da semana, pelo endereço de e-mail  apoioemocional@cvv.org.br ou via chat, no site do CVV .

Eles atendem de forma voluntária e gratuita a todos que precisarem conversar.

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