
Mato Grosso, tradicional gigante do agronegócio, tem ganhado protagonismo na produção de uma cultura até então considerada alternativa: o gergelim. Segundo Hugo Garcia, presidente Associação de Produtores de Feijão, Pulses, Grãos Especiais e Irrigantes de Mato Grosso (Aprofir-MT), o Estado, que se consolidou como o maior produtor do grão no Brasil, está experimentando um crescimento expressivo, impulsionado por fatores econômicos e climáticos — além da abertura de novos mercados internacionais. Com a recente abertura do mercado chinês para o gergelim brasileiro, a expectativa é transformar o grão em uma cultura tão relevante quanto a soja e o milho no Estado.
Annie Souza / RD News
“Hoje, o gergelim está dando mais dinheiro que o milho […] É uma cultura menos exigente em água e que está trazendo mais rentabilidade para o produtor. Isso tem feito com que muitos agricultores repensem suas escolhas de plantio”, afirma Garcia.
A expansão recente é notável: em poucos anos, a área plantada saltou de cerca de 300 mil hectares para quase 600 mil. “E a tendência é crescer ainda mais nos próximos anos”, projeta o presidente da Aprofir. O milho, que ainda domina o cenário com quase 8 milhões de hectares cultivados, começa a perder espaço em algumas regiões, como no Vale do Araguaia, onde produtores têm migrado para o gergelim por causa da maior adaptabilidade da planta às mudanças climáticas.
Freepik
Em 2024, Mato Grosso foi responsável por 64% das exportações brasileiras, movimentando R$ 1,3 bilhão e enviando o produto para 26 países, incluindo Índia, México, Vietnã e Egito.
Recentemente, em março deste ano, o governo chinês autorizou a habilitação das primeiras 21 empresas brasileiras para exportação de gergelim. O país asiático, maior importador global do produto, responde por 38,4% do consumo mundial da semente e consome 1,2 milhão de toneladas por ano, o que demonstra o potencial como um mercado estratégico para o agronegócio brasileiro. A abertura do mercado chinês para o gergelim brasileiro será um grande propulsor do cultivo em solo mato-grossense, principalmente em Canarana, município que mais produz o grão no país.
Freepik
“Foi um grande feito que conseguimos junto ao Ministério da Agricultura e ao governo do Estado. A China é um grande importador e isso abriu um mundo de possibilidades”, explica Garcia.
Os produtores acreditam que o gergelim pode seguir os passos do milho, que há alguns anos era visto apenas como uma cultura complementar e hoje tem papel fundamental no agronegócio. Agora, com esse novo momento, o gergelim está se tornando uma alternativa estratégica para o produtor que quer diversificar, fugir da dependência do milho e garantir rentabilidade. “Temos um potencial muito grande para crescer ainda mais. E não tenho dúvida que o gergelim será uma das grandes alternativas dos próximos anos”, conclui. Entre na comunidade de WhatsApp do Rdnews e receba notícias em tempo real . (CLIQUE AQUI )

Faça um comentário