Funcionários do Ciosp acionam Justiça para receber salários

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Cerca de 60 funcionários terceirizados lotados na Secretaria de Estado Segurança Pública (Sesp-MT), no setor do Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp) ingressaram com ações trabalhistas em face da empresa ZDAT- Teleatendimento e serviços. A firma está em recuperação judicial e mantinha contrato com o Estado para operação dos atendimentos de emergência 190 e 193. Os funcionários alegam que estão sem receber salários desde novembro de 2025 e o montante pode chegar a R$ 1,2 milhões.

 

Ao , os trabalhadores relatam que a empresa encerrou o contrato em 31 de janeiro de 2026, deixando pendências desde o ano passado, incluindo vale-transporte, vale-refeição, saldo salarial e verbas rescisórias. Apesar de notificações administrativas, os valores seguem sem quitação. O Estado já contratou uma nova empresa, que absorveu os trabalhadores, mas a rescisão com a antiga prestadora permanece indefinida, deixando 60 famílias em situação de incerteza e vulnerabilidade.

 

O advogado Erlon Sales, representante dos trabalhadores nas ações, informou à reportagem que requereu liminar para suspender eventual repasse final à empresa e encaminhou ofício ao Secretário de Segurança Pública, César Roveri, solicitando o bloqueio dos valores ainda a serem pagos à ZDAT, a fim de resguardar recursos para quitação das verbas trabalhistas das 60 famílias envolvidas.

 

A ação foi protocolada na segunda-feira (9) e aguarda decisão.

 

Contrato 

Os serviços essenciais de atendimento aos números de emergência 190 e 193, ligados à Segurança Pública de todo o Estado de Mato Grosso, eram prestados desde março de 2025 pela ZDAT, com sede em Porto Alegre (RS). Desde novembro a empresa se encontrava inadimplente com várias verbas trabalhistas. Apesar das várias cobranças dos funcionários, bem como, dos fiscais do contrato, inclusive com ações administrativas do Estado de notificações, sanções e outros, a empresa se manteve inerte em quitar as verbas.

 

À época, sub-tenente da Polícia Militar e gerente do Ciosp Metropolitano Haellem, que também era fiscal do contrato, informou aos supervisores e atendentes que a “fiscalização não mediu esforços em cobrar da empresa o pagamento em dia”, mas como não foi cumprido, sugeriu a rescisão unilateral, a qual foi acatada pelo nosso Secretário de Segurança.

 

Diante da emergência dos serviços prestados, o Estado de Mato Grosso realizou nova contratação, a empresa ATIVA CONSULTORIA ORGANIZACIONAL LTDA contrato de N° 001/2026/SESP, que fez aproveitamento de toda força de trabalho da recuperanda. A nova empresa iniciou as atividades dia 1º de fevereiro.

No entanto, funcionários tentam receber os valores, para garantir o pagamento das rescisões e salários, já que não receberam nada da antiga empresa até o momento. O receio é que, mesmo após o pagamento pela SESP, a ZDAT não repasse o dinheiro aos trabalhadores.

 

O advogado reitera que existem “indícios irrefutáveis” de que a empresa não pretende arcar com a rescisão contratual dos funcionários e outros direitos violados. “Estamos a tratar de força de trabalho e verbas trabalhistas de 60 famílias, que apesar da renovação contratual com outra empresa, e terem mantido seus postos de trabalho, suas obrigações financeiras, encontram-se prejudicadas pelo atraso sistêmico da empresa”, acrescenta.

 

Outro lado

Procurada pela reportagem, a ZDAT não se manifestou até a publicação da matéria. Já a Secretária de Estado de Segurança Pública disse que rescindiu o contrato com a referida empresa e está adotando as medidas administrativas cabíveis para o cumprimento das obrigações trabalhistas que a mesma deixou de cumprir, conforme o previsto no contrato.

 

Problemas anteriores

Ainda no ano passado, o noticiou uma organização dos prestadores de serviço terceirizados da ZDAT para paralisar as atividades sob argumento de atraso salarial. Os servidores do teleatendimento dos canais de emergência 190 (Polícia Militar), 193 (Corpo de Bombeiros) e 197 (Disque Denúncia da Polícia Civil) deliberaram em setembro de 2025 por indicativo de greve.

 

O Sindicato dos Trabalhadores Telefônicos do Estado de Mato Grosso (Sinttel-MT) informou, à época, que a entidade realizou assembleia-geral extraordinária com os trabalhadores da empresa ZDAT Teleatendimento, que prestam o serviço para a Secretaria de Segurança Pública do Estado de Mato Grosso (Sesp-MT), para decidir “formas de luta para resolução dos problemas apresentados pela categoria”.

 

Entre os principais pontos debatidos estiveram: atraso do pagamento dos salários, benefícios, não recolhimento dos encargos sociais e não repasse das contribuições sindicais. Com a greve aprovada, dos 66 servidores, somente 20 foram escalados para trabalhar, sendo 5 trabalhadores por turno, que compreende manhã, tarde, noite e madrugada. Diante da repercussão negativa e do pagamento, a greve foi encerrada um dia depois.

 

Os servidores são responsáveis por atender as denúncias feitas pelos cidadãos por meio dos canais oficiais e redigir o relato no sistema. No caso do Polícia Militar, é feito o registro e a triagem, a ocorrência é encaminhada para análise e despacho interno pelos policiais.

 

No atendimento do Corpo de Bombeiros, a abrangência é ainda maior, pois são atendidas chamadas de todo o Mato Grosso, e não apenas Cuiabá e Várzea Grande. Já em relação à Polícia Civil, o procedimento também envolve todo o estado. Somente após esse trabalho inicial é que os policiais militares, civis ou bombeiros têm acesso ao registro para dar seguimento à ocorrência.

Link da Matéria – via Gazeta Digital

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