
Discussão relacionada ao fim da jornada 6×1 mobiliza patrões e empregados em Mato Grosso e em todo o país. A pauta voltou ao centro dos debates nesta semana, após o encaminhamento da PEC para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Enquanto as maiores confederações empresariais de setores como indústria, comércio, serviços e agronegócio articulam um manifesto conjunto sobre o fim da escala, grande parte dos trabalhadores apoia a redução da carga horária sem que haja prejuízo nos rendimentos mensais.
Pelo lado do setor produtivo, a preocupação é de ordem financeira. Estimativas indicam que a medida pode provocar um impacto negativo de, aproximadamente, R$ 180 bilhões para as empresas brasileiras.
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O presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL Cuiabá), Junior Macagnam, posiciona-se contra a proposta nos moldes atuais e defende que o tema seja debatido de forma pormenorizada nas convenções coletivas, especialmente com o fortalecimento dos sindicatos, argumentando que cada profissão possui particularidades que impedem a imposição de um padrão único para todo o mercado.
“O principal ponto de atenção é que a redução de jornada não afetará o salário. Ótimo. O problema é que as empresas terão um custo de 25% em sua despesa operacional, o que pode levar muitas delas a enfrentar problemas sérios ou até quebrar”, alertou Macagnam. “Embora o tema tenha um forte apelo popular, potencializado pelo fato de 2026 ser um ano eleitoral, a proposta deveria ser mais estudada antes de avançar”, complementou Macagnam em entrevista ao programa Tribuna, da Vila Real FM, nesta quarta-feira (11).
Na outra ponta desse cabo de guerra, os trabalhadores demonstram otimismo com a mudança. Dados de um levantamento da Nexus apontam que 7 em cada 10 profissionais são favoráveis à medida. Para a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a redução da jornada é uma bandeira histórica do movimento sindical, responsável por conquistas expressivas ao longo das décadas. Nos últimos anos, a pauta ganhou fôlego como uma reação à ampla retirada de direitos promovida pela reforma trabalhista de 2017, focando especificamente no fim da escala 6×1.
Em nota oficial, a CUT reforçou que a jornada de 40 horas já é realidade em categorias como bancários, petroleiros e metalúrgicos por meio de negociações. “Esses exemplos evidenciam o papel decisivo dos sindicatos e reforçam a importância dos acordos coletivos, respeitando as especificidades de cada setor. É um passo necessário para fomentar maior empregabilidade, elevar a produtividade com mais qualidade e promover mobilidade social, no marco de um projeto de desenvolvimento soberano e socialmente inclusivo”, destaca a entidade.
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