
O feijão caminha para se consolidar como a terceira safra de Mato Grosso. Mesmo diante de desafios como os altos custos de produção, baixa oferta de energia elétrica e o ataque da mosca branca, os produtores têm apostado no cultivo do grão e conseguido superar as dificuldades. A análise é do presidente da Associação de Produtores de Feijão, Pulses, Colheitas Especiais e Irrigantes de Mato Grosso (Aprofir), Hugo Garcia. Atualmente, Mato Grosso já é o quarto maior produtor de feijão do Brasil.
Na safra 2023/2024, foram plantados cerca de 170 mil hectares, resultando em uma colheita aproximada de 300 mil toneladas, segundo dados da Aprofir.
Annie / RD News
Conforme explica o representante do setor, o estado de Mato Grosso, na atualidade, é o maior produtor de feijão irrigado do país – o feijão irrigado é aquele cultivado com uso de sistemas de irrigação, permitindo plantio fora do período de chuvas e maior controle sobre a produção -, uma cultura de terceira safra. O feijão irrigado já é utilizado como terceira safra em algumas propriedades, mas ainda não é consolidado por não ter uma produção tão expressiva quanto seu potencial.
Atualmente, a soja é a principal cultura agrícola de Mato Grosso, ocupando grande parte das lavouras durante o verão e sendo a base da economia agropecuária do estado. Na sequência, vem o milho, cultivado na chamada segunda safra — popularmente conhecida como “safrinha”. Apesar do nome, essa segunda safra já tem grande expressão, tanto em área plantada quanto em volume de produção, sendo estratégica para o agronegócio mato-grossense.
Já a terceira safra, viabilizada principalmente por sistemas de irrigação, vem ganhando espaço e se diversificando. Nela, os produtores têm apostado em culturas como feijão, gergelim, trigo e grão-de-bico aproveitando melhor o solo e o tempo entre colheitas, e aumentando a rentabilidade ao longo do ano. Entre elas, o feijão pode ser a melhor opção. O gergelim, que também cresceu no Estado, já tem ocupado espaço em propriedades rurais no lugar do milho, na segunda safra.
“Hoje o feijão já está mais focado na irrigação. Então você planta hoje a soja, o milho e vai pro feijão na terceira safra, através da irrigação. A gente consegue produzir em torno de 3 milhões de sacas de feijão irrigado por ano. É um bom volume pro Estado do Mato Grosso. Temos um potencial muito grande pra crescer mais ainda. E não tenho dúvida que vai ser uma grande alternativa pros produtores”, pontuou presidente da Aprofir.
Ainda segundo Hugo, o produtor que tem um terço da sua área irrigada dobra o faturamento da sua propriedade. “Hoje, uma lavoura de feijão é mais rentável do que uma lavoura de soja ou de milho. Então, eu digo ao agricultor, produzindo bem, conseguindo um preço adequado, não ideal, mas um preço justo, ele tem um faturamento melhor do que com a soja”, finalizou. Entre na comunidade de WhatsApp do Rdnews e receba notícias em tempo real . (CLIQUE AQUI )

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