
Um grave acidente de trânsito, registrado no dia 22 de janeiro de 2026, no bairro Zé Sobrinho, em Rondonópolis (MT), ganhou novos desdobramentos após familiares da vítima denunciarem descasos no atendimento e a ausência de investigação formal do caso. Um médico é o principal suspeito por causar a batida.
De acordo com o boletim de ocorrência da Polícia Civil, o acidente envolveu um carro e uma bicicleta. A vítima, identificada como Silvano Marcio da Silva, 53, foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhada ao Hospital Regional. Conforme o registro, ele apresentava quadro grave, com suspeita de traumatismo craniano, sendo posteriormente confirmada a gravidade das lesões.
O condutor do veículo, identificado como o médico Jahmmeson Borges da Silva, 39, realizou o teste do etilômetro, que apontou resultado negativo para ingestão de álcool. A perícia técnica foi acionada e os devidos exames realizados. Ele foi encaminhado à Delegacia de Trânsito de Rondonópolis.
No entanto, familiares contestam a dinâmica do acidente. Segundo relato, imagens mostram que o motorista não teria aguardado a passagem do ciclista, provocando a batida. Além disso, afirma que ele não prestou o socorro imediato, sendo capacitado para isso. O condutor acionou o Samu, que demorou cerca de 15 minutos para chegar ao endereço.
Segundo o código de ética médica, todo profissional tem o dever moral e legal de não se omitir e prestar o socorro imediato, antes mesmo de acionar o Samu. O ato de não tentar salvar a vida imediatamente pode agravar a omissão e ser feita a abertura de processo no Conselho regional de Medicina (CRM), questionando a integridade do profissional.
Após o acidente, Silvano permaneceu internado em estado crítico na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional e, posteriormente, foi transferido para o Hospital Municipal, sem comunicação prévia à família. Conforme denúncia, a unidade hospitalar se encontra em condições precárias e sem estrutura para receber pacientes em estado grave, além disso, o médico condutor Jahmmeson também estava trabalhando nesse mesmo hospital, embora em uma ala diferente de onde a vítima estava internada, o que trouxe muito receio a família do paciente. Acervo Pessoal/Montagem
Atualmente, a vítima está em estado vegetativo, com sequelas neurológicas severas e dependente de cuidados permanentes. Sem condições financeiras, os parentes afirmam que tem recorrido a doações para custear assistência, incluindo cuidadoras, já que o paciente necessita de acompanhamento integral.
A situação se agrava, segundo os denunciantes, pela ausência de medidas investigativas. Até a família não teve acesso ao laudo percial da Politec e o acidente segue sem investigação por parte da Polícia Civil.
Diante da gravidade do caso, a família cobra providências das autoridades, incluindo a abertura de investigação para apurar possíveis responsabilidades, além de celeridade na liberação de atendimento domiciliar especializado (Home Care), essencial para a continuidade do tratamento.
O outro lado
Ao ser questionada sobre as queixas da família sobre precaridade do hospital e tratamento na mesma unidade em que o suspeito trabalha, a Secretaria Municipal de Saúde encaminhou a seguinte nota:
“O paciente em questão deu entrada no Hospital Municipal, encaminhado do Hospital Regional de Rondonópolis, após esgotados todos os atendimentos possíveis na unidade estadual. No Município, ele seguirá em cuidados até a liberação de home care (de responsabilidade do Estado).
Com relação ao profissional médico, o mesmo estava de plantão na unidade municipal no dia em que o paciente citado deu entrada. Ao tomar conhecimento da situação, a direção removeu imediatamente o profissional dos atendimentos na unidade. Portanto, o profissional não está cuidando do paciente citado.
Com relação às condições estruturais da unidade, o hospital foi recebido pela atual gestão em situação de total sucateamento, sendo que melhorias já foram e estão sendo realizadas para garantir melhor atendimento aos pacientes e acompanhantes.”
A Polícia Civil, por sua vez, emitiu nota afirmando que as primeiras diligências já foram realizadas e aguardam a representação da vítima para dar continuidade as investigações:
“Foi instaurado procedimento de verificação preliminar, no qual já foram realizadas diligências no local dos fatos, bem como a coleta de imagens para subsidiar a apuração.
O caso segue em andamento, aguardando a manifestação da vítima ou de seus familiares junto à unidade policial. Ressalta-se que, em situações de lesão corporal culposa (sem intenção) decorrente de acidente de trânsito, a persecução penal depende de representação da vítima, conforme previsto no art. 88 da Lei nº 9.099/95 e no art. 291 do Código de Trânsito Brasileiro.
A vítima possui o prazo de até 6 meses, a contar da identificação do autor, para formalizar a representação e possibilitar o prosseguimento das medidas legais cabíveis”.
Gazeta Digital
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