
João Aguiar/Rdnews
Membros do Comando Vermelho teriam comprado uma casa noturna de Cuiabá por R$ 800 mil, em espécie, supostamente para lavar dinheiro da facção criminosa. Nesta quarta-feira (05), a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Mato Grosso (Ficco), deflagrou a Operação Ragnatela , para apurar os crimes de lavagem de dinheiro.
Aproximadamente 400 policiais cumprem oito mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão nos estados de Mato Grosso e Rio de Janeiro, além do sequestro de imóveis e veículos, bloqueio de contas bancárias, afastamento de dois servidores de cargos públicos e suspensão de atividades comerciais. As ordens judiciais foram expedidas pelo Núcleo de Inquéritos Policiais da Comarca de Cuiabá.
Segundo o delegado Antônio Flávio, da Polícia Federal, os membros da facção adquiriram quatro casas noturnas em Cuiabá. Com ajuda de promotores, que dividiam o custeio dos eventos com integrantes do grupo e tinham participação no lucro, eles faziam shows nacionais na capital mato-grossense. Não foi especificado o valor movimentado.
Também foi identificado nas investigações que os promotores eram proibidos de trazer artistas de São Paulo já que o estado é comandado por uma facção rival do Comando Vermelho.
Por conta disso, o MC Daniel, foi hostilizado e teve que sair escoltado de uma casa de festas de Cuiabá, durante show ocorrido em dezembro de 2023.
O integrante da facção que promoveu o evento foi punido pelo grupo com a pena de ficar sem realizar shows e frequentar casas noturnas em Cuiabá, pelo período de dois anos.
Vereador é alvo
O vereador por Cuiabá, Paulo Henrique (PV), foi um dos alvos da operção. Ele é suspeito de fazer parte do esquema, fazendo a interlocução com os agentes públicos que facilitariam esquema – dois foram afastados, um deles é fiscal da prefeitura e outro servidor do Estado. O parlamentar foi alvo de mandado de busca e apreensão.
Em nota, Prefeitura de Cuiabá disse que abrirá procedimento interno para apuração da conduta do agente de fiscalização e que colabora com as investigações.
“Alguns agentes públicos, inclusive um parlamentar, que tem uma relação muito próxima com esses investigados, inclusive com troca de favores e com recebimento de vantagens financeiras de forma indireta por isso. Ele sofreu medida cautelar no dia de hoje e vamos dar continuidade às investigações para saber exatamente a participação dele na vinculação dele com a facção criminosa”, explica o delegado federal Antônio Flávio em entrevista à imprensa.
O delegado pondera que é apurado neste momento o nível de participação do vereador e que, o que está provado nos autos é que “ele tem sim uma vinculação, identificamos que tinha uma participação dentro de uma secretaria municipal (Sorp) em que ele tinha pessoas ligadas a ele e essa secretaria municipal é responsável pela fiscalização dessas casas noturnas e concessão para autorização para realização dos shows”.
O presidente da Câmara de Cuiabá Chico 2000 (PL) disse à reportagem que está se interando sobre a operação e ainda não sabe qual parlamentar é investigado. Legislativo deve se posicionar sobre o caso nas próximas horas.
A Operação Ragnatela contou com apoio do Centro Integrado de Operações Aéreas de Segurança Pública (Ciopaer) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, força-tarefa permanente constituída pelo Ministério Público Estadual, Ppolícia Civil, PM, Polícia Penal e Sistema Socioeducativo.
Entre na comunidade de WhatsApp do Rdnews e receba notícias em tempo real . (CLIQUE AQUI )

Faça um comentário