Ex-vendedor de carros é suspeito de aplicar golpes em clientes e fugir

Imagem

O ex-vendedor de carros que, atualmente, se apresenta como produtor de eventos, G.J.V.U, é acusado de aplicar golpes em ao menos cinco pessoas nos municípios de Cuiabá, Várzea Grande e Sinop. De acordo com as denúncias, ele fazia ofertas de vendas dos mesmos automóveis para diversos clientes e “sumia” logo após receber o dinheiro.

Reprodução

Em consulta ao Processo Judicial Eletrônico (PJe) há ao menos quatro processos envolvendo empresas e pessoas físicas que teriam realizado a compra de veículos com G.J.V.U. e posteriormente perceberam que haviam caído em um golpe, momento em que decidiram registrar boletim de ocorrência e foram informados sobre a existência de diversos registros contra o ex-vendedor pelo mesmo motivo. 

Conforme consta nos autos, a vítima J.F.L.P. e a empresa O.A.C.V., de Cuiabá e de Várzea Grande, respectivamente, apontaram que já tinham uma relação comercial e confiável com G.J.V.U., por meio da compra de carros semi-novos para revenda. 

No processo, é detalhado que o faturamento e a emissão de notas fiscais eram realizados em nome da esposa do ex-vendedor, J.S.B.. Além disso, destaca-se que os pagamentos eram feitos diretamente nas contas bancárias de G.J.V.U. (física e jurídica).

A negociação entre o ex-vendedor e J.F.L.P. foi de diversos veículos, sendo que sete deles não foram entregues: Chevrolet Cobalt (R$ 28,5 mil), 3 Chevrolet Onix (R$ 118 mil), Fiat Strada e Renault Sandero (R$ 73,5 mil) e Fiat Toro (R$ 55 mil).

Já O.A.C.V., realizou a compra de um Hyundai HB20, ano 2022, no valor aproximado  de R$ 62 mil, conforme a Tabela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), já que o valor não consta nos autos disponibilizados pelo PJe.

A vítima E.F.M. realizou a negociação dos veículos: Fiat Mobi (R$ 30 mil), Chevrolet Prisma (R$ 33 mil) e Hyundai HB20 (R$ 40 mil). Ao todo, três vítimas tiveram um prejuízo de aproximadamente R$ 438 mil.

De acordo com a advogada Nathália Lacerda, que representa uma das vítimas, o ex-vendedor se aproveitava de um antigo trabalho em uma concessionária para praticar os golpes, além de obter informações privilegiadas acerca dos veículos que entravam no estoque, tendo revendido aproximadamente 72 carros. 

A jurista destacou ainda que apenas pessoas autorizadas poderiam adquirir veículos da concessionária, que possui um cadastro validado por um site de compra e venda de veículos seminovos sendo que,  G.J.V.U. utilizava o cadastro em nome da esposa, inclusive emitindo as notas fiscais em nome dela, “tudo devidamente autorizado pela concessionária que controla o acesso à referida plataforma”.

Outro ponto destacado por Nathália Lacerda é que G.J.V.U. possuía uma relação íntima e de anos com os vendedores da concessionária e, inclusive, com o gerente comercial responsável pela Central de Repasses do grupo, tendo fotos dos dois publicadas nas redes sociais em confraternizações, o que levou a advogada a entrar com uma ação não só contra o ex-vendedor e sua esposa, como também contra a concessionária. 

“A responsabilidade da concessionária foi fundamentada com base na Teoria da Aparência, pois o estelionatário tinha liberdade para apresentação dos carros e, inclusive, possuía informações privilegiadas, sempre conseguia adquirir veículos que ainda nem tinham sido disponibilizados para o público. Até maio de 2024 ele tinha adquirido 72 veículos no autoavaliar do Primeira Mão, um número muito expressivo para um suposto ex-vendedor”, afirmou.  Reprodução

Advogada Nathália Lacerda, que representa uma das vítimas, denúncia prejuízos causados por G.J.V.U contra clientes em  cidades de Mato Grosso

A advogada disse ainda que as denúncias contra G.J.V.U. têm aumentado. Um empresário, identificado como E.F.M. relatou à polícia que perdeu cerca de R$ 100 mil após fazer a negociação, transferir o valor via Pix e “depois disso, ele parou de atender minhas ligações”. A mesma situação aconteceu com o comerciante A.A.M., de Sinop, que relatou ter comprado cinco veículos de G.J.V.U., mas que recebeu somente três, e um dos carros recebidos ainda estava sem documentação. 

A advogada relatou à reportagem que informou à polícia que G.J.V.U. teria saído do estado de Mato Grosso, sendo visto em baladas em Goiânia e em São Paulo, onde teria tirado fotos com cantores sertanejos famosos, tendo publicado nas redes sociais. “Inclusive ele está se apresentando como produtor de eventos agora”.

O entrou em contato com a Polícia Civil para obter acesso aos boletins de ocorrência, além de saber sobre o andamento do inquérito policial contra G.J.V.U. Em resposta a assessoria informou que o inquérito foi instaurado pela Delegacia Especializada de Estelionato e Outras Fraudes de Cuiabá e que “mais detalhes não podem ser passados para não atrapalhar o andamento das investigações”. 

Entre na comunidade de WhatsApp do Rdnews e receba notícias em tempo real . (CLIQUE AQUI )

Link da Matéria

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*