Ex-presidente da Unimed e outros investigados são soltos e advogado diz que ‘justiça foi feita’

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Rubens de Oliveira Júnior, ex-presidente da Unimed, e outros 4 alvos da Operação Bilanz, que apura um rombo de R$ 400 milhões na cooperativa, foram soltos ainda na noite dessa quarta-feira (30). A advogada Jaqueline Proença Larrea, que também foi presa, foi solta em outra decisão da Justiça Federal. O advogado de Rubens, Marlon Latorraca, afirmou que não havia motivo para a prisão e considerou que agora a “justiça foi feita”.

 

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Rubens e os outros investigados foram presos ontem (30) pela Polícia Federal e prestaram depoimento. Após isso eles seguiram para a sede da Justiça Federal. O advogado Marlon Latorraca disse que ficou acompanhando seus clientes, Rubens e Suzana Aparecida Rodrigues dos Santos Palma, até tarde da noite, quando obteve o alvará de soltura. Ele destacou que ambos estão à disposição da Justiça.

 

“Como era esperado nós conseguimos a soltura dos nossos clientes, não havia motivo para essa preventiva, não havia os requisitos para (…) nem a temporária e com base nisso conseguimos a liberação deles sem nenhum tipo de restrição, sem nenhum tipo de medida cautelar alternativa, então já estão todos em casa e a Justiça foi feita”, pontuou.

 

O advogado ainda informou que os demais réus, Eroaldo de Oliveira, Ana Paula Parizzotto e Tatiana Bassan também foram soltos.

 

“Todo esse barulho, toda essa prisão foi decretada com base em um déficit que sequer foi provado ainda, nós estamos brigando para que seja feita uma perícia judicial, para que se prove que não há este déficit. Nós vamos conseguir fazer isso, com certeza, e conseguindo isso e mais outros procedimentos que iremos tomar, nós iremos provar a [inocência] dos nossos clientes”, disse Latorraca.

 

Na decisão em que determinou a soltura dos investigados o juiz Jeferson Schneider, da 5ª Vara Federal de Mato Grosso, esclareceu que a prisão temporária tem duas finalidades: permitir uma adequada coleta da prova e permitir à autoridade policial um tempo mínimo necessário para uma primeira análise das provas. Ele concluiu que ambos os objetivos foram cumpridos neste caso.

 

“Os fatos apurados são graves, porém nenhum elemento concreto ou suficientemente grave, na assentada da audiência de custódia, foi apresentado que coloque em risco a investigação, a instrução processual e a aplicação da lei penal, o que não significa, insisto novamente, que com a continuidade e o aprofundamento das investigações o cenário não possa mudar”, destacou o magistrado.

 

Esquema na mira
A Unimed Cuiabá – que é a operadora de saúde suplementar de maior abrangência do Estado, com 220 mil usuários, possuindo 60% de market share e tendo 1.381 médicos cooperados – descobriu um prejuízo contábil de R$ 400 milhões.

 

Em março de 2023, após uma disputa eleitoral histórica na qual os cooperados elegeram o médico urologista Carlos Bouret para presidir a Unimed Cuiabá, deu-se início à descoberta de uma série de anormalidades que estavam sendo cometidas pela gestão anterior, que tinha como presidente o médico Rubens de Oliveira.

 

Além de Rubens, a ex-gestão era composta pelo ex-CEO, Eroaldo Oliveira, e o ex-presidente do Conselho de Administração, João Bosco Duarte.

 

Em 27 de junho, os cooperados reunidos em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) tiveram conhecimento dos resultados apresentados pela auditoria, PP&C Auditores Independentes, quanto ao balanço revisado. Conforme relatório, existia uma perda de aproximadamente R$ 400 milhões no balanço fiscal de 2022, contrapondo os R$ 371,8 mil positivos que haviam sido apresentados pela gestão anterior.

 

As irregularidades apontadas pela auditoria contratada evidenciaram uma administração incorreta, que comprometeu a saúde financeira da Unimed Cuiabá. Dentre pontos críticos estavam a construção de dois empreendimentos – a sede do hospital próprio e um espaço de cuidados terapêuticos – que custaram R$ 95 milhões e não foram entregues em sua totalidade.

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