Endividamento no campo cresce e Aprosoja pressiona por mudanças no Plano Safra

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Arquivo Aprosoja-MT

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) encaminhou, nesta terça-feira (17), um documento com propostas para o Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2026/202, ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), diante do avanço do endividamento rural e da redução do acesso ao crédito no campo.

Entre as medidas sugeridas estão a destinação de R$ 20 bilhões para alongamento de dívidas vencidas e a vencer, uso de recursos de fundos constitucionais, utilização do Fundo Social para renegociação ou concessão de crédito e mudanças na Medida Provisória 1.337 de 2026 para ampliar o alcance a situações reconhecidas por decretos de emergência.

“Antes de falar em Plano Safra 26/27, é fundamental ampliar o volume de recursos destinados ao alongamento das dívidas, para além dos R$ 20 bilhões propostos, e garantir que os decretos de emergência também sejam considerados, não apenas os de calamidade. Precisamos de uma solução estruturada, com renegociação dos passivos dos produtores em todas as linhas do governo federal e das operações de outras instituições financeiras que são destinadas a atividades rurais, com juros equalizados de até 8% ao ano, prazos mais longos e período de carência adequado para que o produtor consiga se reequilibrar”, afirma o diretor administrativo da Aprosoja MT, Diego Bertuol.

Dados do boletim do Plano Safra 2025/2026 indicam que o crescimento nominal dos recursos não resultou em ampliação efetiva das linhas tradicionais de crédito. Entre julho de 2025 e fevereiro de 2026, os valores contratados subiram 7% e os concedidos, 4%, impulsionados principalmente pela CPR, que cresceu 39%. No entanto, o custeio caiu 13% nas contratações e 16% nas concessões, enquanto o investimento recuou 20% e 33%, respectivamente. “ Precisamos de uma solução estruturada, com renegociação dos passivos dos produtores em todas as linhas do governo federal e das operações de outras instituições financeiras que são destinadas a atividades rurais, com juros equalizados de até 8% ao ano, prazos mais longos e período de carência adequado para que o produtor consiga se reequilibrar” Diego Bertuol

O número de operações também diminuiu. No período, os contratos firmados caíram 24%, passando de 488.317 para 369.655, indicando redução no alcance do crédito entre os produtores.

Outro ponto destacado é a baixa execução dos recursos equalizáveis. Dos R$ 113,4 bilhões previstos, apenas R$ 44,1 bilhões haviam sido concedidos até fevereiro, deixando 61% ainda por contratar. Programas como Moderfrota, Inovagro, Proirriga, RenovAgro e Pronamp também registraram queda, afetando investimentos em tecnologia, irrigação e armazenagem.

Em Mato Grosso, o cenário é considerado mais crítico. Até dezembro de 2025, 14,1% da carteira de crédito rural do estado – cerca de R$ 13,49 bilhões – estava em atraso, inadimplente, prorrogada ou em renegociação. O endividamento total dos beneficiários no Sistema Financeiro Nacional chegou a R$ 112,41 bilhões.

A regulamentação da Medida Provisória nº 1.314/2025, voltada a produtores afetados por eventos climáticos, também é apontada como insuficiente, por não contemplar parte dos produtores do estado. Com isso, produtores acabaram recorrendo a operações com juros de mercado a partir de 16% ao ano, em meio a perdas de safra e queda de renda.

No documento enviado ao governo federal, a entidade defende que o endividamento rural seja tratado como prioridade da política agrícola. Segundo a Aprosoja MT, sem mudanças nas condições de crédito, os produtores devem continuar enfrentando dificuldades para manter a produção diante de custos elevados e restrição no acesso a financiamento.Entre na comunidade de WhatsApp do Rdnews e receba notícias em tempo real . (CLIQUE AQUI )

Link da Matéria – via RD News

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