
O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-MT), José Wenceslau de Souza Júnior, reforçou suas críticas à proposta de fim da escala 6×1. Ele expõe preocupação com os impactos da Reforma Tributária, ao afirmar que ambas as medidas podem pressionar custos e reduzir o poder de compra do trabalhador.
Durante entrevista, o dirigente ao Jornal do Meio Dia desta sexta-feira (20), o empresário reforçou que parte das empresas já adota modelos mais flexíveis, como a jornada 5×2, caso do setor administrativo de seus próprios negócios. Ainda assim, destacou que a redução de um dia na jornada semanal, sem alteração salarial, tende a gerar efeito contrário ao esperado. Segundo ele, a medida obrigaria a contratação de mais funcionários em um cenário já difícil de mão de obra, elevando os custos das empresas.
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“Nas minhas empresas, o administrativo já trabalha no 5 por 2. Então, quando a gente tem que mostrar para o trabalhador que isso não é benéfico para ele financeiramente, porque isso vai onerar nós, empresários, nós vamos ter que contratar mais pessoas num momento tão difícil de contratação e isso quer dizer que nós vamos onerar o custo da empresa. Esse custo será repassado ao produto final, e o trabalhador, mesmo ganhando o mesmo salário, vai perder poder de compra”, afirmou.
O presidente reconheceu que a proposta pode trazer ganho em qualidade de vida, mas ponderou que o impacto econômico precisa ser considerado. Ele rebateu ainda comparações com críticas históricas feitas pelo empresariado ao 13º salário e ao adicional de férias, defendendo que há alternativas mais eficazes para beneficiar os trabalhadores.
Como solução, o dirigente defendeu a redução da carga tributária sobre a folha de pagamento. Segundo ele, atualmente os encargos podem chegar a cerca de 80% sobre o salário, e a diminuição desse peso poderia resultar em aumento real na renda.
“Se incorporar isso ao salário, quem ganha R$ 2 mil poderia passar a ganhar R$ 3.600. Isso sim é ganho real para o trabalhador”, disse.
Sobre a reforma tributária, o presidente da Fecomércio alertou para possíveis prejuízos a estados produtores como Mato Grosso. Ele explicou que, com a mudança na cobrança de impostos para o destino final do consumo, unidades federativas com menor população tendem a arrecadar menos, mesmo sendo grandes produtoras.
“Mato Grosso produz muito, mas consome pouco. A tributação ficará na ponta, nos estados mais populosos, enquanto ficamos com os impactos da produção”, criticou.
Segundo ele, a mudança pode beneficiar grandes centros consumidores em detrimento de estados com forte base no agronegócio. Ao final, o dirigente reforçou que o setor empresarial não é contrário a melhorias para os trabalhadores, mas defendeu que as mudanças sejam feitas com equilíbrio para evitar efeitos negativos na economia.

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