
A entrevista da delegada Layssa Crisóstomo ao Domingo Espetacular, da Record TV, trouxe novos detalhes sobre a investigação que apura o estupro denunciado por uma detenta de 24 anos contra o investigador da Polícia Civil Manoel Batista da Silva, 52, ocorrido dentro da Delegacia de Polícia de Sorriso (420 km ao Norte). O caso ganhou repercussão nacional após a confirmação do exame de DNA que apontou a compatibilidade do material genético do policial com o coletado no corpo da vítima.
Responsável pela apuração, a delegada destacou a complexidade de investigar um crime sexual cometido por um policial civil dentro da própria instituição. “É muito difícil. Me faltam até palavras. A gente entende que o policial está aqui para defender a sociedade, mas infelizmente percebemos que existem criminosos dentro da nossa própria instituição”, afirmou.
Segundo Layssa Crisóstomo, o investigador se aproveitou de um momento de vulnerabilidade da delegacia, que funcionava apenas com policiais plantonistas, para ter acesso à detenta. “Ele veio em um período em que a delegacia estava mais vulnerável. No momento em que ele vai até a cela, chama a vítima e a convida para tomar banho, já havia a intenção clara de cometer o abuso sexual”, explicou.
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A delegada também relatou que a abordagem feita pelo investigador fugiu completamente dos protocolos policiais. “Não é normal, jamais, um policial civil retirar uma presa da cela dessa forma. Isso por si só já acendeu um alerta durante a investigação”, pontuou.
Outro ponto destacado na entrevista foi a confiança do suspeito de que não seria incriminado pelo exame pericial. De acordo com Layssa, Manoel Batista acreditava que o tempo entre o crime e a coleta do material genético impediria a comprovação.
“Ele contava que o exame de DNA desse negativo. O fato aconteceu em uma terça-feira e a coleta foi feita na sexta. Ele achou que, nesse lapso temporal, não seria possível constatar”, disse.
No entanto, o resultado pericial foi decisivo. “O material genético coletado no corpo da vítima coincidiu com o dele”, afirmou a delegada. Diante da confirmação, Manoel Batista admitiu o crime no momento da prisão. “Ele pediu desculpas e disse que estava contando com o negativo do exame para sustentar a mentira”, revelou.
O investigador segue preso e à disposição da Justiça, enquanto o inquérito avança para a fase final.

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