Dom Mário destaca solidariedade, fé e recomeço na Páscoa em mensagem aos católicos

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O Papa Leão XIV aceitou a renúncia de Dom Orlando Brandes e nomeou Dom Mário Antônio da Silva como novo arcebispo de Aparecida (SP). Após quatro anos à frente da Arquidiocese de Cuiabá, Dom Mário se despede da capital mato-grossense no dia 2 de maio.

 

Em sua última Páscoa como líder da igreja católica na Capital, ele falou ao sobre o significado da data, os desafios da fé nos dias atuais e deixou orientações para fiéis e famílias. 

 

GD – A Páscoa perdeu importância ao longo dos anos? O que mudou na vivência religiosa?
Dom Mário – A essência da Páscoa permanece a mesma para os cristãos, mas a forma como as pessoas se relacionam com a fé mudou. A Páscoa continua tendo o mesmo valor e intensidade. O que acontece é que hoje muitos querem Deus, mas sem compromisso com a comunidade ou com a vivência da fé. É uma religião mais individual, e isso faz com que o sentido do Evangelho vá se perdendo. 

 

GD – Qual o verdadeiro significado da Sexta-feira Santa, muitas vezes vista apenas como feriado?
Dom Mário – M uitas vezes corremos o risco de fazer da Sexta-feira Santa um feriadão prolongado.  Às vezes, para piquenique, para viagens, para descanso, para pescaria.  Nada contra o lazer, contra as viagens, contra a pescaria, nada contra isso.  Mas acho que existem outros momentos bem oportunos para isso.  E, para nós, a Sexta-feira Santa é, de fato, o dia da oração, do perdão, da reconciliação,   um dia em que fazemos memória da morte de Jesus Cristo.  

Uma morte não para gerar tristeza, mas para gerar em nós solidariedade.  E uma morte na qual a gente não permanece,   mas que se adianta nas celebrações e na liturgia para a ressurreição.   Então, a Sexta-feira Santa, ou Sexta-feira Maior, como se dizia,   é um silêncio esperançoso no perdão, na misericórdia de Deus   e na certeza da história de Jesus, que fazemos memória,  em que ele ressuscitou.

 

GD – Como equilibrar o lado comercial da Páscoa com o seu significado religioso?
Dom Mário – A gente até pode fazer uso dos elementos, dos alimentos,   até mesmo do ovo da Páscoa, dentro de um certo equilíbrio.  E quando a gente abrir um ovo de Páscoa, lembrar que a razão da Páscoa é a ressurreição de Jesus.   E uma ressurreição de Jesus que quer nos dar uma vida nova.  

Eu posso até comprar um ovo de chocolate, posso até abri-lo em família,   posso até presentear alguém com ovo de chocolate nessa Páscoa.   Mas que a gente não se esqueça dos mais pobres,   de doar também de maneira solidária àqueles que não têm como comprar.

 

GD – Que orientação o senhor deixa para os pais sobre a educação religiosa dos filhos?
Dom Mário – Os pais devem aproveitar esses momentos para explicar o verdadeiro significado da Páscoa. Além disso, é importante incentivar a solidariedade, lembrar dos mais pobres e ensinar que a Páscoa é vida nova, união e amor ao próximo.

 

GD – O mundo atual influencia esse distanciamento da fé?
Dom Mário – A sensação de autossuficiência contribui para isso. O mundo de hoje, muitas vezes, se sente autossuficiente e acha que não precisa de Deus. Mas esquecemos que tudo o que somos e temos vem de um Criador. Essa consciência acaba se perdendo. 

GD: A busca por uma fé mais individual impacta a vida religiosa?
Dom Mário – A convivência comunitária é espaço de testemunho, ajuda e crescimento espiritual. Quando a pessoa se afasta disso, ela perde muito desse caminho de santidade.  

 

Dom Mário deixa Cuiabá após quatro anos de atuação, levando consigo a mensagem de que a Páscoa vai além das tradições: é um convite à fé, à comunidade e à solidariedade.

Link da Matéria – via Gazeta Digital

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