
Milhões de brasileiros devem assistir à entrada das estrelas de cinema no Dolby Theatre para a cerimônia do Oscar neste domingo (15), na esperança de ver um dos seus conquistar a estatueta dourada pelo segundo ano consecutivo.
O filme brasileiro “O Agente Secreto” recebeu quatro indicações ao Oscar, incluindo a primeira indicação de um brasileiro a Melhor Ator para Wagner Moura, que ganhou o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Drama nesta temporada.
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O reconhecimento vem um ano depois de “Ainda Estou Aqui” ter conquistado o primeiro Oscar da história do país, na categoria de Melhor Filme Internacional, gerando orgulho e entusiasmo na nação de 213 milhões de habitantes.
Este ano, o cineasta brasileiro Adolpho Veloso está indicado por seu trabalho em “Sonhos de Trem”.
Entrevistas com uma dúzia de diretores, produtores, executivos e analistas mostram que duas décadas de investimento governamental, incluindo um valor recorde de US$ 267 milhões (cerca de R$ 1,4 bilhão, na cotação atual) da Ancine (Agência Nacional do Cinema) no ano passado, ajudaram o Brasil a aumentar o número de longas-metragens produzidos, ampliar as parcerias internacionais e aproveitar o influxo de capital dos serviços de streaming que buscam aumentar o número de assinantes.
No entanto, com a mudança nas prioridades orçamentárias e a iminência de uma eleição que pode trazer de volta os conservadores céticos em relação ao financiamento do cinema, muitos no setor temem que o apoio governamental não seja sustentável.
Ainda assim, as exportações brasileiras de serviços audiovisuais cresceram 19% ao ano entre 2017 e 2023, atingindo US$ 507 milhões (cerca de R$ 2,6 bilhões, na cotação atual), segundo estudo encomendado por sua Associação Cinematográfica.
Há quem espere que a indústria cinematográfica brasileira possa seguir os passos de gigantes globais do entretenimento, como a Coreia do Sul, que exporta bilhões de dólares anualmente em conteúdo, em parte devido ao substancial apoio governamental.
O momento do Oscar para a indústria cinematográfica brasileira destaca uma “tempestade perfeita” de maturidade, talento e grandes histórias, disse Josephine Bourgois, diretora executiva do Projeto Paradiso, uma organização sem fins lucrativos que apoia a divulgação do cinema brasileiro para o público global.
“O que está acontecendo agora é que, além de ser pop, o Brasil é viável. Dá para trabalhar com o Brasil, dá para fazer negócio”, disse.

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