
O delegado Gustavo Godoy Alevado, adjunto da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), alertou aos pais sobre deixar os filhos acessarem a internet sem devido monitoramento. A fala vem após deflagração da Operação Mão de Ferro 2 , deflagrada nesta terça-feira (27), que revelou um adolescente de 16 anos, morador de Rondonópolis (a 212 km de Cuiabá), como líder de um grupo suspeito de compartilhar pornografia infantil, praticar ameaças, apologia ao nazismo e promover automutilação entre jovens na internet. Ele encontra-se internado após ser apreendido pela Polícia Civil. Rdnews
Delegados Gustavo Godoy (à esquerda), Cláudio Alvares Santana e Guilherme Fachinelli (à direita), da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos
De acordo com o delegado, o menor já havia sido alvo da Polícia Civil em agosto de 2024 , durante a 1ª fase da operação, e teve dois aparelhos celulares apreendidos. Na época, os agentes conversaram com os responsáveis pelo menor, que ficaram surpresos com o comportamento dele na internet.
Menos de um ano depois, ele foi alvo novamente da PJC, e já estava com outro celular. “Então, você vê que menos de um ano depois, o adolescente voltou a ter o uso do celular liberado pelos pais, sem nenhuma supervisão, e estava praticando essa série de atos infracionais”, afirma o delegado.
“Como que um pai e uma mãe, que sabe que o filho está fazendo isso. A polícia apreende dois telefones, ele é ouvido na frente da mãe, ele confessa tudo aquilo que ele praticou. A mãe ficou horrorizada naquele momento. Passam sete, oito meses, e o adolescente já tá com o telefone celular de novo”, completa.
Para ele, criança e adolescente não podem ter privacidade na internet e os pais devem fazer “marcação cerrada”, monitorando o que os filhos veem no celular. “O pai e a mãe muitas vezes acham que o filho está dentro do quarto, no computador, no telefone, que está sendo inofensivo. Não é. A gente sabe que muitos crimes não podem estar sendo praticados por trás de uma tela, seja do computador, seja do celular”, dispara.
“É uma oportunidade para a gente deixar um alerta para os responsáveis, para os pais, que [o filho] tem que ser monitorado o tempo inteiro. Criança, adolescente não pode ter privacidade. Tem que ser monitorado, tem ferramentas produzidas pelas próprias fabricantes de celular, tanto o sistema Android, quanto o iOS, que os pais podem monitorar em tempo real tudo aquilo que seus filhos estão fazendo”, completa.
Adolescente sentia “ter poder” na internet
Segundo o delegado Gustavo Godoy Alevado, em uma conversa com o rapaz, os policiais apuraram que ele sofria bullying na escola e se sentia “poderoso” na internet. “Ele relatou pra gente o seguinte: ‘Olha, no mundo real, eu sou objeto de bullying, não tenho amigos, ninguém gosta de mim, eu não me relaciono bem com ninguém. Mas na internet, quando eu tô por trás ali do celular, usando um nome de usuário, usando o Telegram, o Discord, eu sou o cara no ambiente virtual. Eu sou uma pessoa que tem poder’”, conta.
“Então, talvez tenha essa explicação. Ter essa ambição, o poder. O que ele não tem na vida real, ele consegue atuar no mundo digital de uma forma completamente diferente”, salienta o delegado.
Como já informado pelo , o adolescente é administrador de um grupo no Discord onde foi feita uma transmissão ao vivo, para mais de 400 pessoas , mutilando e matando um gato.
O delegado diz ainda que o grupo se inspira em séries, filmes e em coisas que acontecem no exterior. “Esse tipo de grupo é uma epidemia, eles se inspiram muito com o que acontece no exterior, séries e filmes. Isso começou há cerca de um ano”, disse o delegado.
Rede criminosa
As investigações identificaram uma rede de pessoas, com participação de adolescentes, que, de forma articulada, praticava crimes como indução, instigação ou auxílio à automutilação e ao suicídio, perseguição (stalking), ameaças, produção, armazenamento e compartilhamento de pornografia infantil, apologia ao nazismo e invasão de sistemas informatizados, incluindo acesso não autorizado a bancos de dados públicos.
As práticas criminosas ocorriam principalmente em plataformas como WhatsApp, Telegram e Discord, nas quais os investigados disseminavam conteúdos de violência extrema, estimulavam comportamentos autodestrutivos, realizavam coação psicológica, ameaças e exposição pública de vítimas — em sua maioria, adolescentes — causando danos emocionais e psicológicos severos.
De acordo com Gustavo Godoy Alevado, delegado adjunto da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos, “a Operação Mão de Ferro 2 é resultado de um trabalho investigativo minucioso conduzido pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos da Polícia Civil de Mato Grosso, em parceria com o Ciberlab do Ministério da Justiça. A deflagração da operação é uma resposta firme e coordenada do Estado à violência digital contra crianças e adolescentes.”
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