Delegado afirma que vigilantes não esperavam prisão por assassinato de imigrante

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Seguranças envolvidos na morte do venezuelano Hidemaro Ivan José Sanches Camacho, na noite de segunda-feira (3), na Rodoviária de Cuiabá, não esperavam ser presos, afirmou o delegado Nilson Farias, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) nesta quarta-feira (5). O grupo foi identificado e preso após a vítima morrer no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), na terça-feira (4).

 

Segundo já divulgado pela reportagem, Hidemaro foi agredido pelos 4 seguranças, na plataforma 1 do terminal. No chão e ferido, ficou agonizando até ser socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levado para o HMC, onde morreu horas depois.

 

Nilson lembra que, assim que os suspeitos compareceram a DHPP para prestar depoimento, já foram autuados em flagrante pelo homicídio. “A ficha deles demorou a cair, mas, independente de quem seja a vítima, estamos falando de uma vida e toda vida importa”, destacou.

 

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Hidemaro era imigrante venezuelano e sua identidade foi confirmada somente na manhã desta quarta-feira (5). Agora, as equipes da DHPP trabalham para investigar sua vida, não há informações, inclusive, se ele tinha endereço físico. “Ninguém o conhecia na região, então, vamos levantar o histórico dessa vítima”, finalizou.  

 

Versão de surto

Os suspeitos, identificados como Alvacir Marques de Souza, 68; Jonas Carvalho de Oliveira, 55; Dhiego Erik da Silva Ferreira, 33, e Luciano Sebastião da Costa, 48, relataram que Hidemaro chegou descontrolado, como se tivesse em surto, na rodoviária. Lá, começou a se debater.  

 

“O vigilante tinha como função conter a situação, que, a princípio, era um ato de vandalismo. Porém, excederam a forma de contenção. Ele foi agredido fisicamente, deram um mata-leão e acabaram assumindo o risco de morte, ainda que não quisessem, mas assumiram o risco”, disse Nilson.  

 

Com base nas imagens da câmera de segurança, os suspeitos não negaram o fato, mas também não deram muitos esclarecimentos sobre a agressão, apenas que usaram “força moderada”. Entretanto, para o delegado, as imagens são claras e mostram 4 homens contra um. “A conduta vai ser individualizada, tem quem agride mais, tem o que agride menos, mas todos participaram”.  

 

Delegado ainda destacou que um dos seguranças foi preso em porte de uma tonfa de ferro, que o uso é proibido pelos profissionais da área. Ele não descarta que a arma tenha sido utilizada para agredir a vítima, que tinha um corte considerável na cabeça.  

 

Hidemaro aparece na imagem ao tentar fugir da agressão na área escura perto do terminal, ele tenta correr, mas, desorientado, cai na plataforma. No chão, ainda é agredido pelos seguranças, onde leva um mata-leão que pode ter contribuído diretamente para a sua morte.

Link da Matéria – via Gazeta Digital

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