CV pagou apartamento avaliado em R$ 1 mi com 284 depósitos “picados”, diz GCCO

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O inquérito policial da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) que culminou na Operação Fair Play , deflagrada nessa quarta-feira (27), detalhou a forma como membros da facção criminosa Comando Vermelho realizaram a compra de um apartamento de luxo , em Santa Catarina, pelo valor de R$ 750 mil, para o líder da organização Paulo Witer Farias Paelo, vulgo “WT”. De acordo com as investigações, o imóvel, atualmente avaliado em R$ 1 milhão, foi pago com 284 transações bancárias “picadas”, no intuito de dificultar a origem do dinheiro e o trabalho policial. 

Conforme consta nos autos, o ex-assessor parlamentar da Câmara Municipal de Cuiabá, Elzyo Jardel Xavier Pires, conhecido como Jardel Pires, seria o “laranja” na realização da compra do imóvel. Segundo a GCCO, Jardel seria “intimamente ligado” a WT por meio da realização de eventos para lavagem de dinheiro da organização criminosa, além de utilizar sua influência como assessor parlamentar para exercer o interesse do Comando Vermelho, junto ao Poder Público Municipal. Reprodução

Prédio onde fica localizado o apartamento de WT em Itapema (SC)

Segundo as investigações, a negociação de compra do apartamento, localizado em Itapema (SC), foi realizada por Jardel Pires, cujo contrato estabeleceu um entrada de R$ 500 mil e outras 5 parcelas de R$ 50 mil, totalizando o valor de R$ 750 mil. De acordo com a GCCO, o valor pago de entrada pela aquisição do imóvel “não condiz com o lastro financeiro que Jardel possui”.

Entretanto há de se destacar a forma como os R$ 250 mil restantes foram pagos, visto que os faccionados realizaram 284 transações bancárias, sendo 283 depósitos direto na “boca do caixa” e um Pix, todos com valores “picados”, conforme revelou a apuração policial.

“Várias transferências bancárias de pequenos valores sem a devida identificação, prática conhecida por smurfing, conduta característica para transferência de dinheiro oriundo do tráfico de drogas, cujo numerário são arrecadados em boca de fumo, além de dificultar e/ou impossibilitar o apontamento das movimentações atípicas e fracionadas pelo COAF [Conselho de Controle de Atividades Financeiras]”, diz trecho do inquérito. 

Em depoimento, um dos ex-sócios que vendeu o apartamento disse que a venda foi realizada por meio de um corretor de imóveis e confirmou que a negociação foi realizada com Jardel.

“Foram realizados depósitos/transferências e que se [os sócios] se surpreenderam com forma que foi realizado o pagamento, pois acreditava que seria feito um depósito/transferência para cada sócio com sua respectiva parte do valor, mas foram realizados infinitos depósitos de valores fracionados, entre pequenas quantias e outras um pouco maiores, todos feitos direto na boca do caixa sem nenhuma identificação”, disse em depoimento. 

O homem disse ainda que ele e os demais sócios não fizeram nenhum questionamento sobre a forma como as parcelas foram pagas, “porque os valores foram sendo depositados até completar o montante combinado, então não sentiram a necessidade de questionar”. Reprodução

Registros de Andrew Nickolas Marques dos Santos, Michael Richard da Silva Almeida e Marllon da Silva Mesquita realizando a transação bancária

Durante as investigações, outros três alvos da operação – sendo eles Andrew Nickolas Marques dos Santos, Michael Richard da Silva Almeida e Marllon da Silva Mesquita – foram identificados em uma agência bancária na Avenida Historiador Rubens de Mendonça (Avenida do CPA), em Cuiabá, realizando transações bancárias em favor do ex-sócio do apartamento. 

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Link da Matéria – via RD News

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