
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Mato Grosso (CRM-MT) emitiu uma nota, nesta quinta-feira (26), afirmando ser falsa a denúncia, feita por uma paciente de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), em Cuiabá, de que uma médica estaria vendendo o medicamento Mounjaro dentra da unidade de saúde . O CRM-MT disse ainda que notificará formalmente a paciente para prestar esclarecimentos.
“Conforme informações posteriormente divulgadas pelas autoridades municipais, os fatos narrados não se confirmaram, tratando-se de um episódio decorrente de equívoco da própria declarante”, diz trecho da nota do CRM-MT.
Assessoria
O Conselho declarou ainda que, diante da gravidade das acusações inicialmente apresentadas — ainda que posteriormente afastadas —, notificará formalmente a paciente para prestar esclarecimentos, perante o CRM-MT, sobre as declarações públicas, “não havendo, neste momento, qualquer procedimento de apuração em face de profissional médica, uma vez que já está evidenciado que os fatos narrados não são verídicos”.
“Paralelamente, o CRM-MT irá oficiar a Polícia Civil e o Ministério Público do Estado de Mato Grosso para que analisem o teor das manifestações públicas realizadas e verifiquem a eventual ocorrência de ilícitos, considerando que, em tese, a conduta pode se amoldar ao crime de denunciação caluniosa, além dos impactos que acusações dessa natureza podem causar à honra de profissionais médicos e à confiança da população nos serviços de saúde”, destacou o Conselho. “ Em um cenário já sensível, esse tipo de conduta pode estimular situações de hostilidade e risco, sobretudo em um país onde, em média, 12 médicos são vítimas de violência todos os dias em unidades de saúde” CRM-MT
O Conselho ressaltou ainda que denúncias envolvendo a atuação médica devem ser tratadas com responsabilidade, baseadas em elementos concretos e encaminhadas pelos meios institucionais adequados, “evitando-se a propagação de informações inverídicas ou precipitadas”.
A nota alertou, ainda, que denúncias vazias e irresponsáveis contribuem para acirrar a desconfiança da população em relação aos médicos, o que é extremamente grave. “Em um cenário já sensível, esse tipo de conduta pode estimular situações de hostilidade e risco, sobretudo em um país onde, em média, 12 médicos são vítimas de violência todos os dias em unidades de saúde”.
“O CRM-MT destaca, também, que é esperado de agentes públicos, especialmente de autoridades investidas em cargos de alta responsabilidade, como o prefeito Abilio Brunini (PL), cautela e prudência na condução de situações dessa natureza, sobretudo ao abrir espaço, em ambiente oficial e coletivo, para a apresentação de denúncias graves sem a devida verificação prévia, o que pode gerar repercussões indevidas e danos à imagem de terceiros”, ressaltou.
O Conselho ainda criticou Abilio quanto à “infelicidade da manifestação inicial do chefe do Executivo municipal, que anunciou, de imediato, a adoção de medidas como o registro de boletim de ocorrência , antes mesmo da obtenção de informações mínimas que pudessem confirmar a veracidade dos fatos”.
Prefeito descartou venda ilegal
Conforme publicado pelo , Abilio afirmou nesta quarta-feira (25) que não há indícios de tentativa de venda do medicamento Mounjaro dentro da UPA na Capital. Segundo ele, uma apuração interna da Prefeitura não confirmou a acusação feita pela paciente.
“Ao que tudo indica, não é o que ela disse. Ao que tudo indica, a médica indicou uma medicação para o tratamento de saúde dela. E eu acredito que a recomendação da médica provavelmente está certa”, declarou o prefeito.
Danielly Santos
O prefeito adotou um tom mais cauteloso e levantou a hipótese de má interpretação por parte da paciente. “De repente a médica chegou e falou: ‘Olha, vou te recomendar o medicamento Mounjaro’ e ela [paciente] entendeu isso totalmente errado e achou que a médica estava querendo vender o medicamento para ela”, afirmou.
Ele também destacou dificuldades na identificação da profissional denunciada. “Essa paciente passou pelo mínimo cinco médicos profissionais dentro das UPAs. Não tem como você saber qual foi o médico que ela está acusando. Ela não cita o nome do médico. (…) Então essa acusação muito vazia que ela [paciente] fez, eu acho que prejudica as acusações graves, as acusações sérias”, declarou.Entre na comunidade de WhatsApp do Rdnews e receba notícias em tempo real . (CLIQUE AQUI )

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