
Rodinei Crescêncio/Rdnews
A corrida é frequentemente vista como uma das melhores estratégias para emagrecimento. Simples, acessível e eficiente, ela parece uma escolha natural para quem deseja perder peso e melhorar a saúde. No entanto, existe um ponto importante que precisa ser discutido com mais clareza: correr estando muito acima do peso pode trazer riscos, especialmente para as articulações.
Isso não significa que a pessoa não deva se exercitar. Pelo contrário. O movimento é fundamental para a saúde, inclusive para quem está acima do peso. Mas o tipo de exercício e a forma como ele é iniciado fazem toda a diferença no resultado. Quando mal conduzida, a corrida pode gerar mais sobrecarga do que benefício.
Durante a corrida, a cada passo, o corpo recebe um impacto que pode chegar a quatro vezes o peso corporal. Esse impacto é repetido centenas ou milhares de vezes ao longo de um treino. Em pessoas com sobrepeso ou obesidade, essa carga se torna ainda maior, exigindo mais das articulações, principalmente dos joelhos, quadris e tornozelos. Com o tempo, essa sobrecarga pode favorecer inflamações, lesões em tendões e um desgaste mais precoce das estruturas articulares. “ É comum que a corrida seja adotada como primeira estratégia para emagrecimento, sem que o corpo esteja preparado para lidar com o impacto. Sem força muscular adequada, sem mobilidade e sem adaptação progressiva, o risco de lesão aumenta consideravelmente”
O problema, portanto, não está na corrida em si, mas na forma como muitas pessoas iniciam essa prática. É comum que a corrida seja adotada como primeira estratégia para emagrecimento, sem que o corpo esteja preparado para lidar com o impacto. Sem força muscular adequada, sem mobilidade e sem adaptação progressiva, o risco de lesão aumenta consideravelmente.
Existe, no entanto, um caminho mais seguro e eficiente. Para quem está acima do peso, o ideal é começar com atividades de menor impacto, como caminhadas, bicicleta, exercícios em aparelhos elípticos ou atividades aquáticas. Essas modalidades permitem melhorar o condicionamento físico sem sobrecarregar excessivamente as articulações. Ao mesmo tempo, o fortalecimento muscular deve ser parte do processo, pois músculos mais fortes funcionam como proteção para as articulações, ajudando a absorver impacto e estabilizar o movimento.
Outro aspecto importante é que o excesso de peso não influencia apenas o impacto mecânico. O tecido adiposo também está relacionado a um aumento do estado inflamatório do organismo. Isso significa que, além da carga maior sobre as articulações, há um ambiente biológico menos favorável, o que pode dificultar a recuperação e aumentar a vulnerabilidade a lesões.
Com a evolução do condicionamento físico, melhora da força e redução progressiva do peso, a corrida passa a ser uma excelente aliada. Nesse momento, ela contribui para manutenção do peso, melhora da saúde cardiovascular e fortalecimento geral do corpo. O ponto central é respeitar o tempo de adaptação do organismo.
Algumas estratégias simples podem tornar esse processo mais seguro. Iniciar com caminhadas e evoluir gradualmente para trotes leves antes de correr é uma abordagem eficaz. Associar exercícios de fortalecimento, evitar aumentos bruscos de intensidade, utilizar calçados adequados e respeitar o tempo de recuperação são atitudes que reduzem significativamente o risco de lesões.
No final, a questão não é se a pessoa deve ou não correr. A questão é quando e como começar. O movimento continua sendo essencial em qualquer fase da vida, mas ele precisa ser construído de forma inteligente.
Emagrecer não é apenas perder peso. É desenvolver um corpo mais preparado, mais resistente e capaz de se movimentar com segurança ao longo do tempo.
Fellipe Ferreira Valle é formado em medicina pela Universidade de Medicina de Teresópolis -RJ, realizando posteriormente residência médica em ortopedia na Santa Casa de Belo Horizonte onde também realizou especialização em cirurgia do joelho e cirurgia do ombro e cotovelo. É também membro fundador da Sociedade Brasileira de Regeneração Tecidual e Socio efetivo da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Professor de medicina na UNIVAG e preceptor da residência de ortopedia da UNIC. Instagram :@dr.fellipe

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