Com salário de R$ 5 mil, ex-servidor da Câmara movimentou R$ 10 mi em um ano

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O ex-coordenador do Cerimonial da Câmara de Cuiabá, Rodrigo de Souza Leal, exonerado  do cargo nesta quarta (05) após ser alvo da Operação Ragnatela, movimentou R$ 10,2 milhões no ano de 2021, no mesmo período que declarou ter recebido pouco mais de R$ 92 mil reais nos rendimentos tributáveis, conforme apontam as investigações. Na função que ocupava no Legislativo Municipal, Rodrigo recebia o salário bruto de R$ 5 mil. Os valores discrepantes chamaram atenção nas investigações.

A Operação Ragnatela foi deflagrada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Mato Grosso (Ficco) e apura supostos crimes de lavagem de dinheiro do Comando Vermelho com o uso de casas noturnas de Cuiabá.

A discrepância entre os valores declarados por Rodrigo à Receita Federal e as movimentações bancárias reveladas pela quebra de sigilo bancário iniciaram um ano antes, em 2020, quando a soma dos valores dos rendimentos tributáveis do suspeito chegaram a R$ 28,4 mil, enquanto movimentou R$ 1,7 milhão. Já em 2022, as investigações apontam que Rodrigo movimentou R$ 14,2 milhões. Os valores declarados por ele nesse ano não são citados na apuração. Ao todo, de 2018 a 2022, o total movimentado pelo investigado ultrapassa R$ 27,2 milhões.

Montagem/Reprodução

Rodrigo foi exonerado nesta quarta-feira (05). Além deele, também foram exonerados dois servidores comissionados: Willian Aparecido da Costa Pereira, o “Willian Gordão” (dono do Dallas Bar), e Elzyo Jardel Xavier Pires (Promoter). Ambos, assim como Rodrigo Leal, foram alvos de mandados de prisão e estavam lotados no gabinete do vereador Paulo Henrique Amorim (MDB) – que também foi alvo da operação.

De acordo com as  investigações, Rodrigo seria responsável por receber quantias em dinheiros e auxiliar na realização dos shows. Ele também agiria como ponte entre faccionados e demais integrantes do esquema.

No documento que guiou a operação é exposto que “Willian Gordão” deu a Rodrigo autorização para efetuar, em qualquer banco, estabelecimentos bancários ou instituição financeira, movimentações e encerramentos de contas correntes e de poupança refentes ao Dallar Bar.

“Além de ser o responsável pela ‘contabilidade’ desse esquema, Rodrigo Leal é o elo entre a facção e agentes públicos que auxiliam na realização dos shows”, frisa trecho da investigação.

A operação

Cerca de 400 policiais cumpriram oito mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão nos estados de Mato Grosso e Rio de Janeiro, além do sequestro de imóveis e veículos, bloqueio de contas bancárias, afastamento de dois servidores de cargos públicos e suspensão de atividades comerciais.

Segundo o delegado Antônio Flávio, da Polícia Federal, os membros da facção adquiriram quatro casas noturnas em Cuiabá . Com ajuda de promotores, que dividiam o custeio dos eventos com integrantes do grupo e tinham participação no lucro, eles faziam shows nacionais na capital mato-grossense. Não foi especificado o valor movimentado.

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