Claudia Raia revela dificuldades com a menopausa aos 58 anos

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Longe das novelas desde “Verão 90” (2019), Claudia Raia poderá ser vista em breve na Edição Especial de “Terra Nostra”, no ar nas tardes da Globo. Ela interpretou Hortência na trama de Benedito Ruy Barbosa e relembra os desafios do papel:

 — Foi bem complicado para mim. O Benedito me chamou para fazer uma personagem em quem ele apostava muito. Era para tratar da submissão da mulher ao marido, que sofria agressão dentro de casa. Ela era galega e eu tinha que aprender o sotaque. Estudei bastante, mas, quando fui entrar na novela, o Jayme Monjardim (diretor) me falou: “Olha, o Benedito vai declinar de sua personagem, porque acha que não está do tamanho que ele gostaria de te oferecer”. Eu falei: “Estou há um mês e meio aqui trabalhando e quero fazer o personagem. Não existem pequenos papéis, existem pequenos atores. Vamos fazer.” Isso foi uma grande lição para mim, para não forçar algo que não está dentro da inspiração do autor. Porque realmente o personagem não se desenvolveu do jeito que ele precisava. Fiquei meses grávida e nunca tinha a criança. Foi uma novela bem confusa e desafiadora para mim. Mas os bastidores eram tão legais… Acabou que virou uma novela histórica, e gostei muito de participar dela, mesmo com esses percalços.

Reprodução/Instagram

Logo após “Terra Nostra”, a atriz fez “As Filhas da Mãe”, de 2001. Na trama, que acaba de entrar no catálogo do Globoplay, ela interpretava Ramona, uma mulher trans:

— Hoje teria que ser uma atriz trans, com toda certeza. Temos várias muito boas, mas na época não havia nem espaço para isso. Essas atrizes nunca puderam trabalhar. Hoje, o papel não poderia mais ser meu. Isso saiu da cabecinha maravilhosa do Silvio de Abreu, que é esse cara tão revolucionário e visionário para trazer um assunto tão moderno para a época. Fui colhendo os frutos disso ao longo dos anos. Eu inspirei muitos gays com essa personagem, e muitas pessoas a se assumirem e a se entenderem trans. As pessoas falam muito comigo sobre isso.

Recentemente, Claudia encerrou seu contrato fixo com a Globo após 40 anos na emissora, e, em breve, estará no ar com seu primeiro projeto no streaming. Ela gravou a série “Fúria”, da Netflix:

— É uma história do submundo da luta. Fiz uma participação. Minha personagem é uma agiota, uma mulher interessante, mas bem controversa. Adorei ser dirigida pelo José Henrique Fonseca. Amei trabalhar no streaming, que é muito diferente da Globo. Eu não sabia nem para onde olhava. Porque é como ficar casada há 40 anos e sair para paquerar. Você fala: “Como assim, gente? O que eu faço primeiro?”

Atualmente, a atriz tem se dedicado ao teatro, rodando todo o país e até Portugal com o espetáculo “Cenas da Menopausa”, comédia musical protagonizada por ela e o marido, Jarbas Homem de Mello.

— É um lugar de fala meu, é uma agonia minha de passar por tudo isso. É um momento que não é fácil, em que se tem de entender também que a sua fase reprodutiva acabou, mas a sua fase produtiva não, ao contrário do que o patriarcado embute na sua cabeça, de que tudo acaba para a mulher 40+. É uma loucura como as mulheres são maltratadas nessa fase, e como nós mesmas nos negligenciamos. Sabemos o poder do teatro em relação à transformação das pessoas. Porém, eu não imaginei que a gente acertasse tanto o coração das pessoas fazendo isso por meio da comédia — afirma ela.

A atriz comenta também sobre um mal-entendido que aconteceu em uma das sessões da peça. Ela chamou a atenção de um espectador na plateia que estava com fones de ouvido, sem saber que ele era deficiente visual e usava o recurso de audiodescrição. Claudia pediu desculpas pelo ocorrido e conta que levou o caso como lição:

— Esse recurso é uma coisa muito nova. Eu não sabia que existia, minha equipe não me avisou sobre isso. Não foi culpa do teatro, foi da minha produção. Achei que era uma pessoa assistindo algo no celular, que foi arrastada pela mulher para estar ali. Eu realmente peço para que as pessoas deixem o celular de lado, porque o teatro é uma experiência ao vivo. Eu cometi um erro. Fizemos um vídeo sobre acessibilidade, que achei super importante para falar sobre isso de forma mais ampla, para que todas as produções, não só a minha, sejam abertas a receber todos os tipos de público. Todo mundo tem que ter acesso às artes, isso realmente transforma. Gosto de aprender com meus erros, e foi assim que aconteceu com esse episódio.

Mãe de Enzo, Sophia e do bebê Luca, ela conta como tem sido equilibrar a carreira com essa fase da maternidade:

— Estar com o Luca é prioridade na minha vida hoje. Eu trabalho muito, não paro. Levo ele para todos os lugares. Coloco na agenda o tempo de ficar com ele, porque não faz sentido eu ter um filho com essa idade e não ter tempo para ele. É muito bacana ser mãe de um homem de 28 anos, de uma mulher de 22, que têm demandas completamente diferentes, e também de uma criança de 2 anos e 8 meses. A casa é bem animada.

Ela também fala do período em que começou a ser rejeitada pelo caçula e de como mudou sua rotina nos últimos meses para dar mais atenção a ele:

— Ele simplesmente me ignorava. O subtexto era: “Ah, você não está comigo, então eu também não faço questão de estar com você”. E ficava com o pai. E eu fiquei pensando: “Meu Deus, estou achando que essa criança não gosta de mim. Eu tive essa criança com essa idade e ele não olha na minha cara, que loucura”. Comecei a perceber que, na verdade, eu é que não tinha tempo, e que precisaria me dedicar a ele. E foi só eu começar a fazer isso para tudo mudar completamente. Nossa relação é incrível. Sou louca por ele, e ele, por mim. Mas realmente, ele praticamente não me via.

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Link da Matéria – via RD News

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