
Rodinei Crescêncio/Rdnews
O empresário e ex-senador, Cidinho Santos (PP), em entrevista ao , relatou que embora seja ligado a um grupo simpatizante do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), não acredita que ele possa reverter sua inelegibilidade para disputar novamente às eleições presidenciais de 2026, com isso, defende que um novo seja apresentado, para que haja a possibilidade de construção, caso contrário, todos perderão. Na sua avaliação, a polarização entre esquerda x direita, está ultrapassada e tem sido um entrave para o país, sendo necessário que bons nomes, bem intencionados, se coloquem à disposição, como é o caso do cantor sertanejo, Gusttavo Lima e o promissor governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Em nível estadual, vê seu grupo completamente chancelado para as eleições, tendo nomes ao Senado e ao Governo, com Mauro Mendes (União Brasil) e Otaviano Pivetta (Republicanos), respectivamente, mesmo tendo em vista, a possibilidade de federação entre PP, União e Republicanos, e além disso, uma aliança com o PL não está descartada, ou seja, ampliando ainda mais um bloco conservador. Ele comentou ainda que líderes como o prefeito de Cuiabá, Capital de Mato Grosso, Abilio Brunini (PL), precisa sentar na cadeira de prefeito e conduzir a cidade, deixando de lado às redes sociais.
Confira, abaixo, principais trechos da entrevista
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Annie de Souza/Rdnews
Vamos de política local. Qual a sua avaliação do governo Mauro? Ele deve sair mesmo candidato ao Senado? Se gabaritou para fazer como o Blairo e sair favoritíssimo?
Eu acho que o governo é positivo, os resultados estão aí sendo colocados, (Mauro) fez uma gestão primeiramente de consertar o Estado e agora de implementação de obras em todas as áreas de infraestrutura, saúde, educação, segurança e isso trouxe um bom conceito para o governo do Mauro Mendes, não só dentro do Estado, como hoje ele é uma liderança nacional. Ele sendo uma liderança nacional, evidentemente que o partido e as pessoas querem ter ele no Senado Federal.
Aí ele vai ter que realmente afastar do governo no ano que vem, em abril, para poder disputar esse mandato do Senado. Eu acho que é uma coisa que vai acontecer naturalmente, não tem outro caminho para ele hoje. Mas o resultado, a população do Mato Grosso está aí com mais de 80% de aprovação e no segundo mandato, que sempre foi um mandato muito mal dito. Com a reeleição, o segundo mandato, tem conseguido ser melhor que o primeiro.
E ele saindo, o Pivetta assume. O senhor defende que ele seja realmente o candidato do grupo ao governo? Entende que ele esteja preparado e que ele tenha, eu digo também, as qualidades para a população avaliar também, que a gente sabe que tem muito a questão falando de que ele não tem carisma. Como que é a sua percepção em relação ao Pivetta? “ Agora, tem as questões pessoais dele (Pivetta), das dificuldades que ele tem, de carisma, de relacionamento, de atender políticos. Isso aí são barreiras que ele vai ter que ultrapassar ”
São perfis diferentes do Mauro Mendes e também do Otaviano Pivetta, no modo de relacionamento, nas formas, mas os objetivos são idênticos. O Pivetta, ele é um empresário, é uma pessoa que tem uma visão de fazer gestão, de poder cuidar bem do recurso público, aplicar bem esse recurso. Então, como governador, eu não tenho dúvida que o Pivetta vai ser um excelente governador e vai dar sequência no trabalho que o Mauro Mendes tem.
Agora, tem as questões pessoais dele, das dificuldades que ele tem, de carisma, de relacionamento, de atender políticos. Isso aí são barreiras que ele vai ter que ultrapassar ou as pessoas vão ter que se adequar a ele. Agora, só o tempo dirá.
Ele está tendo muitas críticas de alguns políticos no sentido de que falta ir pra rua, de que falta fazer política. O senhor acha que já está começando a ficar tarde pra isso? Porque, embora seja vice-governador, tem que cheirar povo também, né?
Ele é muito discreto e se colocou ao longo desse tempo realmente na posição de vice-governador, embora muito atuante, tanto na parte de Educação, na parte de Segurança e agora na própria Agricultura Familiar, sempre ajudando o governo. Mas, agora eu tenho percebido que ele, com a perspectiva de assumir o governo daqui praticamente um ano, ele tem se movimentado mais, tem viajado bastante, tem visitado os municípios, tem mudado um pouco, para poder abafar um pouco dessa crítica de que ele não tem relação com a classe política, com o prefeito, com vereadores, ou não vai pra rua. Está mais disposto.
Annie de Souza/Rdnews
E o senhor, seu nome aparece como o número 2 com possibilidade ao governo. Nesse coração aí bate o sonho de, de repente, ser governador? Ou agora, ou futuramente?
Poucas pessoas chegam nesse cargo de governador, porque, na verdade, eu entendo que é uma coisa mais de Deus, né? A minha missão é a pessoa falar, ah, tenho preparado, e tenho escolhido, né? Então, é a pessoa que escolhe, pode ser que eu daqui a pouco esteja escolhido, aí se um dia só for escolhido, eu vou cumprir minha missão, dar o melhor de mim. Faria também uma excelente gestão, tenho certeza, pela experiência que eu tenho de prefeito, de secretário, de senador, de empresário, da noção que eu tenho das questões sociais, de relações humanas.
Do que as pessoas realmente precisam, porque eu vivo. Eu vivo na rua, vivo com as pessoas, eu atendo pessoas diariamente, pedindo atendimento de saúde, UTI, então como eu sou uma pessoa muito aberta, eu converso com muita gente, eu tenho a sensibilidade do que precisa fazer para o Estado. Mas eu não posso atropelar um processo que está em andamento, que é a candidatura do atual vice-governador Otaviano Pivetta, com o qual eu tenho um excelente relacionamento e acredito muito na gestão dele. “ Se um dia só for escolhido, eu vou cumprir minha missão, dar o melhor de mim. Faria também uma excelente gestão, tenho certeza, pela experiência que eu tenho de prefeito, de secretário, de senador, de empresário, da noção que eu tenho das questões sociais, de relações humanas”
Se não for o governo, o senhor pode voltar a ser candidato a deputado federal ou outro cargo?
Tem vários amigos que são candidatos à reeleição, que estão entrando agora. Eu só iria apoiar essas pessoas que são candidatos. Nós temos um partido, que é o PP, que é o partido que eu estou hoje, que eu estou junto com o deputado Paulo Araújo e o diretório, organizando o partido no Estado e aguardando vir agora a possível federação entre PP, União Brasil e Republicanos. Então, dentro dessa federação, a gente deve montar as chapas e as candidaturas, governador, senador e vice-governador.
A Margareth Buzetti está voltando com o sonho de ser candidata. O senhor acha que tem espaço para ela se viabilizar dentro do grupo de vocês?
Ninguém chega e impõe candidatura, tem que ser construída. Ela sabe disso. Ela é bem-vinda, é uma excelente pessoa, tem feito um bom trabalho no Senado Federal, mas eu já falei para ela que eu não posso garantir a ela que ela vai vir e vai ser candidata a senadora do grupo político, porque isso aí depende das composições que vai acontecer em 2026.
Dizem que o sonho do governador Mauro é que a direita venha junto com ele, o senhor acha que é possível diante do cenário que temos hoje de pré-candidatos ao governo?
Em 2026, de estar com o PL no nosso arco, não é uma coisa impossível, porque vai depender das composições lá em Brasília, de quem vai ser o candidato a presidente da República. Se for o Tarcísio, temos boa chance então desse PL vir conosco. Se o candidato for o Bolsonaro, ou o próprio filho do Bolsonaro, possa ser que eles vão lançar a chapa própria, então vai depender muito da composição nacional, mas seria bom, se todo mundo estivesse junto, isso facilitaria o processo eleitoral. Nós temos duas vagas de Senado, tem vaga de governador, tem vaga de vice-governador, com certeza a gente conseguiria agregar tudo, não só o PP, PL, União Brasil e Republicanos.
Cidinho, sei que o senhor é bem próximo da direita, como você está vendo a governança dos prefeitos da direita? Acha que o Abilio está indo bem, está precisando sentar um pouquinho na cadeira de prefeito? O senhor já foi prefeito também, sabe muito bem das dores e dos sabores do cargo
Sim, Abilio vive aquela empolgação inicial, está muito focado na rede social e tal, mas com pouco tempo ele vai ter noção do que é uma gestão de Executivo, principalmente, de um prefeio de Cuiabá. Tem muitos problemas no município, e essa realidade vai durar em cima dele, mas tem pessoas boas na equipe que com certeza vão poder, e já estão trabalhando focadas em poder resolver os grandes gargalos que vão acontecer, em todo lugar você vai ter buraco.
É uma tristeza, eu acho que se eu fosse prefeito, no segundo dia, eu já estava com multirão aqui, tampando buraco, fazendo uma parceria com o governo do estado, estava focando nessas situações, focando na saúde, para diminuir as filas e tal, acho que isso seria as ações iniciais, mas acredito que estão se organizando para fazer isso. É empolgação, mas o Abilio é uma pessoa bem intencionada, é um menino do bem, e que se ele focar vai ser um grande gestor. “ Sim, Abilio vive aquela empolgação inicial, está muito focado na rede social e tal, mas com pouco tempo ele vai ter noção do que é uma gestão de Executivo, principalmente, de um prefeito de Cuiabá.”
Cidinho, qual é a chance do Bolsonaro ser candidato?
Eu acho muito difícil, muito difícil. Eu tenho conversado com o próprio Tarcísio de Freitas [governador de São Paulo], que ele [Bolsonaro] tenha o despreendimento de, como líder, entender isso e trazer para o grupo, escolher um candidato que tenha uma viabilidade para poder assumir o destino do país em 2027, porque se ele ficar focado mesmo, só manter essa esperança com o nome dele, depois vai querer apresentar um filho dele, aí pode ser que realmente vai perder tudo, todos vão perder.
O senhor é muito amigo de Gusttavo Lima, que quer ser candidato a presidente da República. Qual é a sua percepção desse projeto? Inclusive, a parte que saiu fala que ele é mais competitivo até que o Tarcísio, que o Eduardo Bolsonaro, só perto do Bolsonaro, nas pesquisas.
Eu acho que as pessoas estão procurando renovação. E essa polarização Lula e Bolsonaro, na minha opinião tem que ser superada, tem que ser ultrapassada e quando você vê um jovem como Gusttavo Lima colocando o nome dele [é surpreendente]. Primeiramente, que ele é uma pessoa conhecida, então por isso que ele já está um pouco lá na frente. E segundo que as pessoas buscam renovação na política, buscam outras opções, e ele é uma boa opção.
Ele é preparado, é uma pessoa do bem, não tem noção de gestão executiva, mas tem boas intenções. Quando você não tem noção, mas tem boas intenções e conhece, tem noção, que eu digo da máquina pública, tem noção da empresa dele, que ele gere, ele tem funcionário que gera emprego, gera renda, então ele tem noção da parte empresarial e da parte artística, tem noção da parte pública, mas se a pessoa tiver boa intenção, o resto você vai construindo.

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