
As chuvas intensas registradas em janeiro e fevereiro de 2026 já levaram 17 municípios de Mato Grosso a decretarem situação de emergência, conforme relatório técnico da Defesa Civil Estadual solicitado pela Comissão Permanente de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT). O documento aponta volume médio acumulado de 277,72 milímetros em janeiro e 204,83 milímetros em fevereiro, cenário que reacende o alerta sobre a vulnerabilidade das cidades diante de desastres naturais.
Entre os municípios que decretaram emergência estão Araputanga, Colíder, Cotriguaçu, Feliz Natal, General Carneiro, Guarantã do Norte, Juína, Marcelândia, Matupá, Nova Bandeirantes, Poxoréu, Primavera do Leste, Rondolândia, Rosário Oeste, Santa Carmem, Serra Nova Dourada e Vila Bela da Santíssima Trindade. Até o momento, o Governo de Mato Grosso homologou apenas os decretos de Cotriguaçu e Rosário Oeste. No período, cinco cidades acionaram diretamente a Defesa Civil e seis receberam ajuda humanitária, totalizando 422 itens distribuídos.
O cenário reforça fragilidades já apontadas pelo próprio TCE-MT em nota recomendatória emitida no ano passado. Segundo o levantamento, apenas 6% dos municípios mato-grossenses possuem alta capacidade de resposta a emergências, enquanto 81% ainda não adotam medidas consideradas eficazes para enfrentar situações de risco. Para o presidente do TCE-MT e da comissão, conselheiro Sérgio Ricardo, os episódios evidenciam a necessidade de planejamento e prevenção, com fortalecimento da estrutura local para reduzir impactos à população.
Além das recomendações aos gestores, o Tribunal afirma que vem investindo na capacitação técnica. Em 2025, mais de 400 representantes de órgãos municipais, estaduais e federais participaram do curso “Proteção e Defesa Civil – Plano de Contingência”, que orientou sobre elaboração e atualização de planos, mecanismos de financiamento como o S2ID e fundos climáticos, além do papel da educação ambiental na mitigação de riscos.

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