
Josi Dias/TJMT
Talita Canavarros Soares e Francinaldo José de Araújo
Talita Canavarros Soares e Francinaldo José de Araújo Silva teriam ingerido bebida alcoólica por dois dias seguidos, ação que antecedeu a morte do filho dela, de apenas um ano e nove dias de vida , no dia 2 de fevereiro de 2021. A informação veio do depoimento de Anderson Antônio da Silva, policial civil que atendeu a ocorrência à época, durante o Tribunal do Júri de Barra do Bugres (a 165 km de Cuiabá), desta terça-feira (24).
Segundo Anderson, durante o atendimento da ocorrência, tanto Talita quanto Francinaldo estavam em visível estado de embriaguez. Segundo ele, o casal ingeriu bebida alcoólica durante todo o dia 1º de janeiro e também no dia seguinte, 2 de janeiro de 2021, data esta em que ocorreu a morte do bebê.
Ele cita ainda que havia resquícios de entorpecentes na residência do casal, material que foi encaminhado para perícia, que confirmou se tratar de drogas ilícitas. Josi Dias/TJMT
O policial civil, Anderson Antônio da Silva, durante depoimento na modalidade online
O policial também foi questionado sobre o comportamento dos pais ao visualizarem o bebê morto e, segundo Antônio, ambos apresentavam “comportamento frio, com olhar distante” e Francinaldo evitava olhar para a equipe policial.
A defesa dos réus perguntou então se existe uma reação padrão ou se as pessoas precisam ser histéricas em uma situação como essa, ao que o policial respondeu que não existe um roteiro de comportamento para esse tipo de situação, mas afirmou que, na experiência dele, “ninguém age como eles agiram”.
Bebê foi derrubado com 5 dias de vida
Na sequência, Adriane Rosi, irmã de Talita, prestou depoimento. Segundo ela, no dia em que o bebê morreu, sua irmã enviou mensagem avisando sobre a situação. Já no local, Adriane encontrou o bebê deitado na cama, já sem sinais de vida.
Ela disse que pegou a criança no colo e ligou para o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) e, no momento em que virou o bebê, foi quando saiu sangue pela boca e nariz da criança.
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) leu um trecho do depoimento de Adriane, dado anterioriormente, em que ela teria afirmado que, quando Talita ingeria bebida alcoólica, ficava agressiva, chegando a xingar e ameaçar pessoas. Perguntada se lembrava dessa declaração, Adriane respondeu que não se recordava exatamente, mas afirmou que isso seria verdade, explicando que, quando bebia, a irmã realmente ficava agressiva. Josi Dias/TJMT
Adriane Rosi, irmã de Talita Canavarros, durante depoimento
Ainda durante o depoimento, Adriane mencionou um acontecimento de quando o bebê ainda tinha 5 dias de vida, em que ela ingeria bebida alcoólica com Talita e Francinaldo, momento em que este último derrubou a criança, na hora de trocar a fralda. Segundo ela, o bebê foi recolhido rapidamente, mas a criança não foi levada ao médico.
O caso
Conforme publicado pelo , o casal foi preso em flagrante no dia 2 de fevereiro de 2021. Segundo a Polícia Civil, inicialmente, acreditavam se tratar de um suposto homicídio culposo, quando os pais da vítima teriam dormido em cima da criança, causando a morte acidental por asfixia.
Entretanto, dando continuidade às diligências, a equipe policial analisou o local do crime, onde encontraram manchas de sangue na varanda da residência. Posteriormente, a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), cofirmou se tratar de sangue humano.
Em interrogatório ao delegado Rodolpho Bandeira, à época dos fatos, os suspeitos demostraram frieza ao relatar a situação, sem mostrar qualquer tipo de culpa ou afeto pela vítima. O casal também apresentou versões conflitantes, dando a entender que estavam protegendo um ao outro e que desconhecia a procedência do sangue encontrado na varanda da residência.
Ainda na tarde do dia 2, o Instituto Médico Legal (IML) realizou o exame necroscópico, concluindo que a morte do bebê teve como causa traumatismo cranioencefálico e provável convulsão causada por instrumento contuso.
“Em nenhum momento houve comoção por parte dos suspeitos, que sequer se preocuparam com os trâmites do sepultamento do bebê, tampouco, esboçaram qualquer tipo de reação quando receberam voz de prisão em flagrante”, afirmou o delegado à época.
Entre na comunidade de WhatsApp do Rdnews e receba notícias em tempo real . (CLIQUE AQUI)

Faça um comentário