
A Mesa Diretora da Câmara Municipal de Cuiabá deve recorrer a decisão da juíza Fernanda Mayumi Kobayashi, do Núcleo de Inquéritos Policiais (Nipo), que restabeleceu os salários dos vereadores afastados Sargento Joelson (PSB) e Chico 2000 (PL) . A dupla foi alvo da Operação Perfídia , suspeita de cobrar propina para votar o projeto de lei que beneficiou a empresa responsável pelas obras do Contorno Leste.
A presidente da Mesa, vereadora Paula Calil (PL) afirmou que vai cumprir a decisão judicial, mas que estuda recorrer, uma vez que, segundo ela, a retomada dos salários do Sargento Joelson e Chico 2000, impacta diretamente no orçamento da Câmara. Rodinei Crescêncio/Annie Souza
A presidente da Mesa Diretora, vereadora Paula Calil, e a vice-presidente, vereadora Maysa Leão
“Com os dois novos vereadores, eu, como gestora do orçamento desta casa, tenho 27 [vereadores], agora terei 29 vereadores para fazer o pagamento. Isso interfere no orçamento, tem um impacto orçamentário (…) Uma vez que, neste ano, nós fizemos uma reforma administrativa nesta Casa para atender à Lei de Responsabilidade Fiscal. Nós fizemos adequações para não ficarmos dentro de um limite prudencial e agora, com essa decisão, nós temos que ter um estudo todo em cima disso para ver como nós vamos poder realizar esse pagamento”, destacou Calil.
A vereadora Maysa Leão (Republicanos), vice-presidente da Mesa, disse que ficou surpresa com a decisão judicial, exemplificando que, quando ela tirou licença – no início do mês de abril – e o suplente Fred Gahyva (Republicanos) assumiu o cargo, ela ficou sem receber o salário.
“Então, uma pessoa que está afastada, que não está cumprindo com as suas funções, que não está vindo trabalhar, não há justificativa para que ele venha receber salário”, disparou Maysa.
A republicana afirmou ainda que solicitou que a Mesa recorresse da decisão para “salvaguardar o dinheiro do povo cuiabano”.
“A gente tem que tentar, de toda forma, reverter a decisão. Não só pelo impacto orçamentário, porque o impacto orçamentário, a gente pode se reorganizar e pagar essa conta. Mas não é justo, com o povo cuiabano, pagar alguém que não está exercendo trabalho”, declarou Maysa.
Operação Perfídia
A operação foi deflagrada no dia 29 de abril, para investigar o susposto esquema de corrupção e recebimento de propinas em execução de obras públicas durante a gestão do ex-prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB). No mesmo dia, a juíza Edina Ederli Coutinho determinou o afastamento de Sargento Joelson e Chico 2000, da Câmara, que segue há mais de 30 dias .
Conforme publicado pelo , a investigação da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) revelou que houve o pagamento de R$ 250 mil, a título de propina , pela empresa HB 20 Construções Eireli, para o favorecimento da tramitação de uma matéria de seu interesse no Legislativo: as obras de drenagem e pavimentação na Avenida Contorno Leste, na Capital.
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