
Em desvantagem nas pesquisas de intenção de voto, o deputado federal Guilherme Boulos (PSol) partiu para o ataque contra o prefeito Ricardo Nunes (MDB) no último debate do 2º turno da eleição à Prefeitura da capital, realizado nesta sexta-feira (25/10) pela TV Globo. Boulos bombardeou Nunes com perguntas e acusações sobre suspeitas de corrupção envolvendo a atual gestão, enquanto o candidato à reeleição explorou questões sobre segurança e drogas contra o rival.
Reprodução TV Globo
Boulos apresentou a postura mais incisiva de todos os debates à Prefeitura da capital neste 2º turno. Em quatro blocos, explorou as principais suspeitas sobre a gestão Nunes, como supostas compras superfaturadas para combater a dengue, favorecimento em contratos de obras sem licitação, a relação do prefeito com um ex-cunhado de Marcola, líder do PCC, e as investigações sobre a máfia das creches, na qual o emedebista é investigado pela Polícia Federal (PF) por causa do depósito de um cheque em sua conta pessoal.
O deputado voltou a desafiar o prefeito a abrir o sigilo bancário, como fez nos dois debates anteriores, para provar que não se beneficiou dos supostos esquemas. “Estou colocando em suspeita várias informações que estão sendo investigadas, inclusive pela Polícia Federal”, disse Boulos. “Eu topo abrir o meu. E você, vai abrir o seu sigilo bancário?”, indagou o candidato do PSol.
Nunes negou qualquer envolvimento em irregularidades, disse que tem a “vida limpa” e respondeu dizendo que Boulos foi condenado 32 vezes na Justiça Eleitoral por propagar “mentiras” contra ele.
Os dois também trocaram acusações sobre já terem sido presos. Boulos lembrou o episódio, revelado pelo Metrópoles, no qual Nunes foi detido por dar tiros para o alto em frente a uma boate em Embu das Artes, em 1996. O prefeito minimizou o episódio, justificando que estava apenas separando uma briga de amigos, e lembrou casos nos quais Boulos foi detido durante processos de reintegração de posse quando liderava o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST).
Nunes tentou colar em Boulos, mais de uma vez, o rótulo de radical e invasor, ironizando as vezes nas quais o psolista se aproximou muito dele no estúdio, já que os dois podiam caminhar livremente pelo palco, que tinha um mapa da cidade no chão. “Você fica invadindo, aqui, o meu pedaço”, reclamou o emedebista ainda no primeiro bloco. Boulos, por sua vez, repetia o tempo todo, de forma irônica, que Nunes mantivesse a “calma”.
Padrinhos e aliados
Os dois utilizaram a ocasião para reforçar o papel de padrinhos políticos e criticar os aliados uns dos outros. Boulos citou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) algumas vezes, enquanto Nunes enfatizou sua parceria com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Boulos questionou Nunes se Jair Bolsonaro (PL) “fez ou não fez tudo certo na pandemia”, explorando o apoio do ex-presidente à reeleição do prefeito. Nunes se esquivou e respondeu que, sob sua gestão, São Paulo virou “a capital mundial da vacina”.

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