
Nesta segunda-feira (6/1), a Polícia Civil confirmou que o envenenamento por arsênio foi a causa da morte de três pessoas após consumirem um bolo em Torres, no Litoral do Rio Grande do Sul. O crime ocorreu em 22 de dezembro de 2024.
Deise Moura dos Anjos, nora de Zeli dos Anjos, de 60 anos — responsável pelo preparo do bolo —, foi presa no domingo (5) como principal suspeita. Ela está detida no Presídio Estadual Feminino de Torres.
Polícia Civil do Rio Grande do Sul/Divulgação
De acordo com Marguet Mittman, diretora do Instituto-Geral de Perícias (IGP), 89 amostras foram coletadas na casa da mulher que preparou o bolo. A farinha utilizada foi identificada como a fonte da contaminação por arsênio.
“Foram identificadas concentrações altíssimas de arsênio nas três vítimas, tão elevadas que são tóxicas e letais. Para se ter ideia, 35 microgramas já são suficientes para causar a morte de uma pessoa. Em uma das vítimas, havia uma concentração 350 vezes maior”, explicou Marguet Mittman.
O que é arsênio?
O arsênio é um metal naturalmente presente em fontes subterrâneas de água e em alimentos como peixes, mariscos, carne e frango. Ele pode se apresentar de forma orgânica ou inorgânica, dependendo de sua estrutura molecular.
Os compostos orgânicos da substância são menos prejudiciais e eliminados rapidamente pelo organismo. Por outro lado, os compostos inorgânicos são altamente tóxicos, especialmente em casos de exposição elevada.
Amplamente utilizado como herbicida em atividades agrícolas, o arsênio também é empregado como conservante de materiais como couro e madeira, além de ser usado na fabricação de ligas metálicas.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a exposição prolongada a esse elemento pode causar sérios danos à saúde, incluindo câncer, doenças cardíacas, diabetes, problemas no desenvolvimento e danos ao sistema nervoso. Em concentrações elevadas, os efeitos incluem sintomas como vômitos, dores abdominais e diarreia, podendo levar à morte.
“O arsênio age inativando enzimas essenciais para a produção de energia celular e a reparação do DNA, o que torna sua exposição extremamente perigosa”, alertou o químico Ubiracir Lima, do Conselho Federal de Química, em entrevista anterior ao Metrópoles. Segundo ele, até mesmo a ingestão de uma dose mínima pode ser fatal.

Faça um comentário