Banco genético é saída para localizar desaparecidos, explicam peritos

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Mais de mil famílias em Mato Grosso estão sem saber o paradeiro de entes desaparecidos ao longo dos últimos dois anos. Apenas em 2024, foram registrados cerca de 2,2 mil desaparecimentos no estado. Desse total, 966 pessoas foram encontradas, restando ainda 1,3 mil casos de desaparecidos sem resposta. Segundo os peritos Késia Renata Lopes Lemos Melo e Gabriel Chaves, o cenário mostra a importância do Banco de Perfis Genéticos da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), montado a partir da doação de material de familiares. Os profissionais ressaltam, no entanto, que a ferramenta ainda  depende da participação da população para que seja mais eficaz, visto que atualmente existem apenas cerca de 427 perfis cadastrados, índice considerado baixo.

Kethlyn Moraes

É necessário expandir o banco para aumentar as chances de localização dessas pessoas desaparecidas pelo estado – e, até, pelo país. 

“O Banco de Perfis Genéticos no Estado de Mato Grosso existe desde 2012. Pega-se essas amostras, encaminha para o laboratório de DNA, processas e insere dentro do banco. Só que nós precisamos realizar um confronto com a amostra de referência. No caso de DNA, qual é a peça fundamental? Os familiares: o pai, a mãe, o filho, o irmão, que desloque-se até uma unidade da Politec e doe esse material”, explica Késia.

A perita pondera, porém, que muitas pessoas não têm conhecimento deste instrumento, ou que, por exemplo, de que a doação é feita de forma rápida e indolor. “Hoje, no nosso Banco de Perfis Genéticos do Estado temos 427 perfis de familiares que têm pessoas desaparecidas. É relativamente baixo. Eu estou colocando esse número para que as famílias tomem conhecimento dessa ferramenta, para que doem esse material genético”, garantiu. “ No caso de DNA, qual é a peça fundamental? Os familiares” Késia Melo, perita criminal

A validade da formação do banco de perfis genéticos se comprova a partir de seu funcionamento: apesar do estado de Mato Grosso conter seu próprio banco de dados, as amostras recolhidas são confrontadas também com as informações contidas em bancos de outros estados do Brasil, o que pode aumentar a possibilidade de respostas e otimizar o trabalho dos peritos, como explica Késia.

“São 23 bancos de perfis genéticos em que nós fazemos esse intercâmbio das amostras de confronto. Então, a pessoa pode ter desaparecido no estado de São Paulo e o familiar morar em Mato Grosso. Ele não precisa se deslocar até São Paulo, pode doar a sua amostra aqui e esse perfil vai ser inserido no banco de perfis genéticos do estado de Mato Grosso, mas ele vai ser possível de ser confrontado com um perfil de algum resto mortal não identificado que tenha sido inserido pelo estado de São Paulo”, considera Késia.

Kethlyn Moraes

Késia e Gabriel relembram ainda o caso em que o Banco de Perfis Genéticos foi utilizado para a identificação de cadáveres que foram encontrados em cemitérios clandestinos em Mato Grosso. Os profissionais recordam que o material genético dos corpos encontrados em Rondonópolis, Lucas do Rio Verde e Várzea Grande foram inseridos no Banco de Perfis e os familiares foram comunicados a fazerem a doação de seu DNA, para a realização do confronto de amostras.

“Durante esse processo de investigação ali do cemitério, as famílias foram se deslocando até as unidades da Politec e doando seu material genético. Essas amostras foram processadas e também inseridas no Banco. Então, por conta do Banco de Perfis Genéticos, oriundos do cemitério clandestino, foram em torno de 10 ou 11 identificados”, confirma Késia.

A criação e manutenção do Banco Perfis Genéticos é uma das diversas ferramentas utilizadas pela Politec em seu trabalho investigativo. Os peritos reforçam que a doação de material biológico não é exclusiva para famílias que tenham entes desaparecidos, apesar de ser um instrumento fundamental para esse grupo de pessoas na busca por respostas, mas é também uma alternativa a mais de segurança à comunidade.

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Link da Matéria – via RD News

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