
Diante das dificuldades com a União Europeia, produtores rurais de Mato Grosso estreitam relações com a China para exportação de soja e milho ao país. O presidente da Associação de Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja – MT), Lucas Costa Beber, afirmou que a visita, ocorrida no início deste mês, buscou prevenir questionamentos sobre a sustentabilidade nas fazendas de Mato Grosso.
Em outubro, o diretor financeiro global da Danone, Juergen Esser, afirmou que a empresa não compraria mais soja do Brasil. O executivo ainda completou que a empresa garante que apenas ingredientes sustentáveis façam parte dos produtos. A fala gerou indignação nas associações de produtores e no Ministério da Agricultura.
Aprosoja-MT
Mato Grosso é o estado que mais produz grãos no país. De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec-MT), a safra de 2023/24 deve atingir as 85,7 milhões de toneladas.
Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária, de janeiro a setembro deste ano o Estado mandou para China 14,44 milhões de toneladas de soja, perfazendo uma receita de R$ 6,24 bilhões. O custo por saca ficou em US$ 442,33. A oleoginosa é o principal item da balança comercial entre os dois países.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, o volume esportado caiu 12,5%. Em 2023, nos nove primeiros meses do ano Mato Grosso embarcou para o país asiático 16,06 milhões toneladas, com receita de US$ 8,47 bilhões. Para se ter uma ideia, a queda de um ano para o outro foi de 25%. O valor por saca também foi maior no ano passado, US$ 527,01.
Apesar das diferenças entre China e a União Europeira, o país asiático tem mudado de postura e começado a implementar técnicas de sustentabilidade, exigindo o mesmo de seus fornecedores.
“[A China] já começa ter uma preocupação com sustentabilidade. É muito melhor, antes que esse problema fique grande e relevante, você já fazer uma agenda proativa e imprimir essa marca de sustentabilidade que, de fato, é feita. Os dados hoje já comprovam, de longe, que a agricultura brasileira é mais sustentável tanto quanto mais sustentável que a agricultura norte-americana e a europeia. Temos que deixar impressa essa marca para que isso não custe o que está custando hoje pra nós”, argumentou Beber.
Lucas também comentou que, diferente de outras ocasiões, a comitiva foi muito questionada sobre as medidas de sustentabilidade dentro das fazendas. Além disso, os produtores mato-grossenses aproveitaram a ocasião para se solidificarem como prioridade no mercado chinês. Mesmo com a alta exportação, os tratos de negócios são mais desenvolvidos com os Estados Unidos.
Aprosoja-MT
“[Os chineses] têm mais segurança em negociar com o produtor americano, mas eles querem conhecer melhor a produção brasileira. Nós fomos lá, justamente, para levar a realidade de como é o sistema de produção do Brasil, porque eles já começam a ter um olhar para a sustentabilidade também. Nós temos floresta, área nativa em pé preservada dentro das propriedades aqui no Mato Grosso, respeitando nosso código ambiental, que é o mais restritivo do mundo”, defendeu o presidente.
Outros setores do agronegócio também tem sido alvo de questionamentos de multinacionais. No caso da pecuária, o CEO do Carrefour, Alexandre Bompard, afirmou que a empresa estaria comprometida a não vender mais carnes de países do Mercosul na França. O motivo seria que a carne produzida não atende as normas do país.
Em carta ao ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro (PSB), Bompard pediu desculpas pelas críticas. Já a Danone emitiu uma nota afirmando que continuará comprando soja brasileira. Entre na comunidade de WhatsApp do Rdnews e receba notícias em tempo real . (CLIQUE AQUI )

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