
Rodinei Crescêncio/Rdnews
Cineasta Bruno Bini durante entrevista no podcast do site Rdnews
O cinema mato-grossense viveu momentos inesquecíveis em agosto de 2025 com a premiação do filme “Cinco Tipos de Medo”, do cineasta e escritor cuiabano Bruno Bini, com quatro Kikitos no Festival de Gramado. O prêmio marca não só o trabalho realizado por Bini, todo o elenco e a produção da obra, como também um momento de evolução e de investimentos no audiovisual em Mato Grosso e no Brasil.
Em entrevista ao , Bruno Bini pontua sua visão sobre o cenário em que se encontra o cinema no Estado e se mostra esperançoso em relação à consolidação de mais políticas públicas voltadas ao incentivo à cultura e à produção cinematográfica em MT.
“A gente está num bom momento, e esse bom momento está sendo reconhecido. Eu acredito muito que é nesses momentos que a gente consegue consolidar políticas públicas, consolidar a produção, sabe? Olhando para a classe audiovisual como um todo, a gente tem talentos incríveis aqui. Eu percebo uma evolução técnica e artística no que a gente vem produzindo. Então, eu acho que é um momento de crescimento. É possível fazer uma projeção de que esse crescimento vai continuar. Eu acredito muito nisso, estamos lutando para isso”, afirma Bini.
O escritor, formado pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), foi destaque no Festival de Gramado, pois, além de levar a primeira produção mato-grossense para a premiação, trouxe para casa quatro estatuetas do Kikito. A obra venceu as categorias de Melhor Filme, Melhor Roteiro, Melhor Montagem e ainda premiou o cantor e ator Xamã, que interpreta o traficante Sapinho na produção, com o Kikito de Melhor Ator Coadjuvante. Bini, que acompanhou as últimas duas décadas do audiovisual em Mato Grosso e fez parte desse processo, enxerga os saltos pelos quais o cenário passou.
“É fácil perceber que existe uma mudança em vários sentidos. O primeiro é sobre essa questão da política de apoio à produção e a busca e oportunização de acesso aos recursos. Isso está criando oportunidade para muita gente estar produzindo. Teve um edital… acho que no último edital a gente teve 130 projetos inscritos de Mato Grosso. E eu olhava isso e me emocionava, porque era algo que eu não conseguia vislumbrar, depois de passar por tanta dificuldade”, explica o escritor.
João Aguiar/Rdnews
Bini relembra que começou no audiovisual e se sentiu incentivado nos festivais de cinema de Cuiabá, mas também sentiu a dificuldade de produzir por diversos motivos, como a garantia de recursos para a filmagem, por exemplo. “Eu lancei o meu primeiro curta em 2001, teve algumas premiações, [mas] era bastante difícil de produzir, em especial a parte de garantir os recursos pra filmar, porque a gente rodava em película e era um processo caro — tanto de locação de equipamentos, quanto o processo de pós-produção, os negativos e montagem e tudo”, recorda.
A mudança veio a partir do reconhecimento da importância das produções fora do eixo Rio-São Paulo, por parte da Agência Nacional do Cinema (Ancine). Bini esclarece que, em 2018, quando rodou seu primeiro longa, Loop, conseguiu perceber que o momento era melhor para acessar recursos para a produção de maneira mais organizada.
“Eu comecei a sentir que existia um esforço da gestão pública pra intensificar o acesso a esses recursos. Isso é uma coisa que aconteceu no Brasil inteiro. A Ancine entendeu a importância de incluir o interior do Brasil, as outras regiões fora do eixo. Elas passaram a ser vistas como fundamentais pro desenvolvimento do audiovisual, do cinema nacional como um todo. O que está acontecendo em Mato Grosso é resultado das políticas culturais, das políticas de acesso aos recursos que foram implementadas nos últimos anos”, afirma Bruno.
Cinco Tipos de Medo e o futuro
Além da felicidade com a premiação, Bini relata o processo de produção do longa. O escritor esclarece que a escalação da cuiabana Bella Campos considera o talento da atriz, que vem se destacando cada vez mais — principalmente com o remake da novela Vale Tudo no ar —, mas também transpassa sua regionalidade. “Eu acho que a escolha da Bella parte de uma escolha artística e do que ela estava entregando. E o fato de ela ser cuiabana trouxe um diferencial, um molho especial pra construção de personagem”, comenta. Divulgação
Atriz Cuiabana Bella Campos protagonista de Cinco Tipos de Medo
Outra aposta de Bini e da produção de Cinco Tipos de Medo foi o cantor Xamã, que estreou como ator no remake de Renascer, em 2024. O escritor explica que a entrega do ator rapidamente o transformou em uma certeza na obra.
O Festival de Gramado consagrou não só um elenco competente, como também uma produção investida em mostrar uma realidade vivida em Cuiabá, como sonhou o escritor Bruno Bini. Ao comentar sobre a falta de filmes de gênero no cenário nacional, Bini relata que Cinco Tipos de Medo é um investimento que mostra também a capacidade do Brasil de produzir esse tipo de material.
“É o tipo de filme que eu quero fazer, e eu realmente acredito que dá pra fazer filmes de gênero que carreguem, sabe, a sua dose de entretenimento, que conversem com o público de uma maneira mais ampla, mas que tragam também temas relevantes — como o tema protagonista desse filme, que conversa com a nossa realidade, com o nosso dia a dia brasileiro. É um filme que vem de uma realidade regional que a gente vive aqui. Então, nesse sentido, é uma união de coisas que eu considero importantes para o cinema, que é o que eu quero fazer: esse diálogo com o público mais amplo e a abordagem de temas que são muito importantes pra nós, enquanto sociedade”, finaliza. Divulgação
Cantor Xamã, que estreou como ator no remake de Renascer, em 2024, e se destacou na produção mato-grossense
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