
A cientista política e doutora em Sociologia, Christiany Fonseca, considera que o levantamento realizado pelo Índice Pesquisas , divulgado nesta sexta-feira (5), expõe que o eleitor mato-grossense ainda está descolado da agenda eleitoral de disputa ao Governo nas eleições de 2026. Neste cenário, ela enxerga margem para o crescimento dos nomes já postos e possibilidade de outros postulantes, devido a falta dos votos cristalizados: “O dado da espontânea revela algo essencial: a baixa mobilização e a fragilidade do debate político no estado neste momento da pré-campanha”.
“Quando mais da metade dos eleitores sequer citam um nome, mesmo sob lembrança livre, indica-se um eleitorado descolado da agenda eleitoral e, possivelmente, ainda sem estímulos convincentes para se posicionar. Esse grau de indefinição pode beneficiar tanto candidatos já conhecidos que consigam ocupar o vácuo, quanto nomes novos que eventualmente surjam com discurso assertivo”, argumentou ela, diante da taxa de 30% a 57% do eleitorado que ainda não sabe em quem votar, ou não respondeu ou em nenhum dos nomes apresentados.
Ketlyn Moraes
Com o quadro atual, marcado por fragmentação, ausência de lideranças consolidadas e alta taxa de indefinição, a possibilidade de segundo turno em Mato Grosso ganha força. Os mais cotados, conforme o levantamento, são o atual vice-governador, Otaviano Pivetta (Republicanos), o senador Wellington Fagundes (PL), o senador Jayme Campos (UB), o ex-prefeito Zé do Pátio (PSB), a deputada Janaina Riva (MDB) e outros, que pontuam menos de 2 pontos cada.
Christiany sinaliza que o cabos eleitorais terão papel fundamental na campanha ao Governo. Ela cita a força do governador Mauro Mendes (UB), que tem a preferência por seu aliado, Pivetta. Assim como a força da direita, com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que pode ou não apoiar Wellington, que tenta conquistar o eleitoraod, mas contra si um histórico de alinhamento com os petistas Lula e Dilma Rousseff.
“O cenário eleitoral mato-grossense, portanto, permanece aberto. Os nomes estão postos, mas o jogo ainda está longe de começar oficialmente. O que se desenha é um processo eleitoral imprevisível, com variáveis decisivas em disputa: o peso da rejeição, a força do bolsonarismo, a fragmentação de forças, o comportamento do eleitor indeciso, a possibilidade de segundo turno e o protagonismo dos bastidores”, comentou.
A socióloga ressaltou ainda que toda pesquisa é uma fotografia do momento em que foi realizada. “Ou seja, os dados refletem aquele instante específico, com o nível de engajamento e percepção dos eleitores naquele contexto. Por isso, não dá pra tirar conclusões definitivas ou eternas a partir de uma única pesquisa, porque o cenário pode mudar conforme novas informações, campanhas e articulações políticas vão surgindo. A pesquisa não prevê o futuro, ela retrata o presente”. Annie Souza/Rdnews
Pesquisa
Na estimulada 1, o atual vice-governador, Otaviano Pivetta (Republicanos), com 26,38%, e tendo à cola o senador Wellington Fagundes (PL), com 22,30%. Mais distante, surge o senador Jayme Campos (UB), com 12,47% e o representante da esquerda, Zé do Pátio (PSB), com 4,08%. Os eleitores que não sabem, não responderam ou que não votariam em nenhum, são 33,34%.
Na estimulada 2, sem Jayme, mas com a inclusão da deputada estadual Janaina Riva (MDB), Pivetta tem 26,62% das intenções de voto e Wellington, 21,58%. Janaina, que é pré-candidata ao Senado, mas também é sondada para o Paiaguás, aparece na terceira colocação com 17,27%, e Pátio segue na lanterna com 4,08%. Os eleitores que não sabem, não responderam ou que não votariam em nenhum, são 30,46%.
Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados, o grau de indefinição é ainda mais acentuado. Mais da metade dos eleitores (56,59%) não souberam ou não quiseram responder. Pivetta lidera com 12,71%, seguido por Wellington (10,31%) e Jayme Campos (7,67%). Janaina aparece com 3,12%. Vários outros nomes foram mencionados de forma pontual, mas com percentuais significativamente inferiores aos daqueles que vêm, de fato, colocando seus nomes à disposição para a disputa ao governo.
A pesquisa foi realizada entre os dias 22 e 29 de agosto, com 2.054 eleitores, nas 12 regiões administrativas de Mato Grosso. A margem de erro é de 4 pontos percentuais para mais ou para menos.

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