Analista vê Bolsonaro condenado e radicais defendendo “Mito Livre”

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O professor e analista político, Vinicius de Carvalho, compreende que embora o ex-presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), figure como réu processo que apura uma tentativa de golpe de Estado durante e depois das eleições de 2022, já o considera condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Para ele, uma eventual prisão pode demorar, mas caso ocorra, acredita que haverá um baixo poder de mobilização popular para tentar resistir a um mandado de prisão. A fala foi realizada durante entrevista ao .

As bases mais consolidadas  tendem a caminhar com Bolsonaro, fazendo a sua defesa, assim, como ocorreu com Lula (PT), em 2018, quando foi preso às vésperas das eleições, no âmbito da operação Lava Jato, por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro – processo que foi anulado posteriormente: “Se ele [Bolsonaro] for preso, vai ter a campanha Mito Livre. Teve a Lula Livre, agora vai ser Mito Livre ou Jair Livre, alguma coisa do gênero. Vai ter pessoas acampadas na porta [de onde ele estiver preso]”.

Rodinei Crescêncio

“É muito provável que ele vai ser condenado, muito, muito provável. Preso, já não sei, talvez demore mais um tempo. Mas a condenação dele virá. Vai ter protestos [se ele for preso, mas acho que] não vai ser nada muito grande, mas vai ter. Está difícil mobilizar, perdeu [a força], passou aquele momento das grandes mobilizações. Os dois lados estão tendo dificuldade [tanto esquerda como a direita]”, pontuou.

Mesmo com Bolsonaro réu e inelegível até  2030, o analista destaca que não vê chances de qualquer recuo do projeto eleitoral de disputa à presidência da República nas eleições do ano que vem, justamente, para não perder espaço internamente e assegurar o poder de decisão. Ele sinaliza que Bolsonaro deve seguir nesta toada, para defender o poder de indicação sobre o aliado que deverá encabeçar o projeto ou compor com outro integrante da direita, frente ao projeto de Lula, que pode ir à reeleição ou não.

“A estratégia deve ser de insistir com essa candidatura até agosto do ano que vem, até tentar registrar tudo. E aí, claro que ela vai ser recusada e aí ele indica um nome no lugar dele. A grande moeda política que ele tem hoje é essa, para pressionar pela anistia dele e dos demais, e também em relação ao processo dele. Ele não vai abrir mão. Ele aparece liderando as pesquisas, é complicado pedir para um candidato abrir mão”, sinalizou.

Dentre os escolhidos, Vinicius citou o núcleo duro de Bolsonaro, composto pela ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro e o seu filho, deputado federal Eduardo Bolsonaro, ambos do PL. Aliás, acredita que a ida de Eduardo para os Estados Unidos como “exilado”, frente as “perseguições” do STF, pode ser encarada como uma estratégia para que ele retorne durante às eleições, justamente, como um símbolo de resistência contra o sistema.

“Com essa tática do Eduardo de ir para os EUA, de se colocar como exilado político, tem gente que fala que ele está preparando a vinda dele ano que vem. Um exilado vindo disputar a presidência. Como aconteceu na Venezuela contra Hugo Chávez, o Nicolás Maduro. Dentro do bolsonarismo, eles falam que o Brasil é uma ditadura, que o Lula é o Maduro, que o Brasil é Venezuela do Sul. Esse é um caminho do Eduardo ficar exilado nos Estados Unidos e voltar para ser candidato a presidente também ou a vice. Tem que pensar nessa composição”, expôs.

Impacto em MT

Neste cenário, onde pode-se ocorrer uma condenação por participação na trama golpista, que provocou um tensionamento e ataque aos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023, Vinicius sustenta que lideranças mais radicais em Mato Grosso podem conseguir desfrutar de um espólio eleitoral, justamente, por  defenderem  Bolsonaro, em um estado onde ele possui um apoio majoritário.

Ele indicou três nomes: O megaempresário, Odílio Balbinotti (sem partido), ao Governo do Estado; o deputado federal, José Medeiros (PL)  e o ex-presidente da Aprosoja, Antônio Galvan (Democracia Cristã), que vão disputar duas vagas ao Senado: “Impacta dessa forma, fortalecendo esses três aqui, que podem até montar uma chapa […] São os três mais alinhados. Esses aqui vão seguir o Bolsonaro para onde ele for, Agora, os outros já têm uma relação mais distante”.

Questionado sobre o senador Wellington Fagundes (PL), que também planeja concorrer a governador, o  analista ressaltou que o eleitorado bolsonarista e da direita possui  fortes resistências ao seu nome. Na sua visão, ele  tem uma base própria, que também pode lhe render cerca de 20% do eleitorado: “O Wellington, independente de bolsonarismo, tem a máquina política dele”, concluiu.

Link da Matéria – via RD News

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