
Claras de ovos e açúcar bastam para fazer um delicioso suspiro. Daqueles de dar água na boca e provocar, com perdão da palavra, longos suspiros…
Apesar de sua base ser muito simples, fazer suspiros é uma ciência e sua produção envolve uma série de aspectos prá lá de complexos. Por exemplo, o ovo não pode estar velho, 15 dias no máximo, sob pena da receita não dar certo. O forno baixo, a exatos 80 graus. O tempo de forno: 3 horas, nem mais, nem menos. Tão logo fique pronto, precisa ser embalado ou guardado num pote herméticamente fechado para manter a crocância. O açúcar, refinado para derreter e depois Glaçucar.
Todos esses segredos foram sendo descobertos e testados pela empresária Ana Elisa Morais Salvá, ou simplesmente Ana Salvá, da Bons Suspiros. Ela conta que seu primeiro contato com o doce surgiu do desejo de fazer a guloseima para o aniversário de um ano de sua filha. No entanto, por uma série de problemas, acabou não fazendo e ficou com a ideia na cabeça. João Vieira
Como acontece com muitas outras mulheres, ela buscava uma atividade que pudesse trabalhar em casa e cuidar da filha pequena. Assim, trocou a profissão no operacional de logística pela de confeiteira de suspiros.
Depois de pesquisar bastante sobre o assunto e fazer um curso no Instagram se sentiu desafiada. Cometeu muitos erros, jogou muita base de suspiro fora e quase teve um colapso mental e financeiro de tanto testar as diversas formas de apresentação de suspiros. Até que resolveu desacelerar e recomeçar tudo novamente com calma, fazendo um preparo de cada vez.
Começou as vendas timidamente numa feirinha mensal em um shopping da cidade e divulgando entre os amigos e conhecidos. Enchia o carro com pacotes de suspiros e saia distribuindo para que as pessoas conhecessem meu produto, conta, acrescentando que assim decidiu transformar a produção de suspiros numa profissão. João Vieira
Hoje, há dois anos na atividade, ela domina as técnicas e a controla sozinha toda a produção.Trabalha, em média, 8 horas por dia. Quando recebe grandes encomendas chega a comprar uma caixa com 180 ovos, o que rende 2 e 1/2 de clara e 7 mil gotas de suspiro, de 1 grama cada.
Nessas ocasiões, recebe a ajuda da cunhada Suzy Costa para embalar os suspiros.
Além de grande em volume, a produção é extensa e diversficada. São 17 saboreados, incluindo baunilha, limão, café, maracujá, menta, pimenta, paçoca, morango, milho, leite condensado, alecrim, manjericão e lavanda, sem falar nas misturinhas como o de queijo com goiabada, maracujá com chocolate e leite em pó, menta com chocolate e pimenta com chocolate.
Faz ainda as rosas recheadas, muito usadas para substituir os bem-casados e como lembranças nos aniversários de 15 anos. Outro sucesso são as pavlovas, de frutas vermelhas com ganache de chocolate meio e a de creme de limão-siciliano.
Prepara também torres de suspiros usadas como centro de mesa e mini-torres temáticas, com princesas, dinossauros, fotos da criança aniversariante e o que mais a imaginação dos clientes alcançar. Trabalha com encomendas personalizadas para brindes com logomarca das empresas.
Ana diz que o retorno financeiro com os suspiros é muito bom. Seus produtos custam de R$ 10,00 (saquinho com gotas) até R$ 700,00 (torre em formato de coração). João Vieira
Sua meta é ser vista pelo mercado e ser reconhecida como quem faz o melhor suspiro de Cuiabá. Quero aumentar a produção, mas sem perder a minha essência e as características de ser um produção artesanal, não industrializada.
Técnicas e histórias
Feito de claras e açúcar, o suspiro ou merengue é usado na forma pastosa geralmente como cobertura de bolos e tortas. Também pode ser assado no forno, dividido em unidades, adquirindo consistência sólida.
Com o grande chef pâtissier Antoine Carême, os suspiros passaram a sair de sacos de confeitar. E o chef Auguste Escoffier criou a pavlova, um suspiro grande, com a casca durinha, e macio por dentro, com recheio de chantilly e morangos frescos, receita reproduzida até hoje.
Mas a origem dos suspiros é incerta e há várias teorias sobre o assunto.
Há quem pense que eles surgiram na Itália, enquanto alguns historiadores gastronômicos alegam que foram criados pelo suiço Gasparini na pequena cidade de Meringen (hoje no leste da Alemanha). Outros dizem ainda que o inventor do doce foi o chef de um rei polaco, que passou a receita para sua filha, que levou a iguaria para a França e os suspiros então se tornaram um dos doces favoritos da rainha Maria Antonieta.
Mas há quem diga ainda que a primeira receita escrita aparece num caderno de receitas de uma inglesa, Lady Elinor Fettiplace, de Oxfordshire de 1604.
Diz-se ainda que teria surgido no século XIX em Lima, no Peru, tendo sido inventado por Amparo Ayarez, esposa do poeta peruano José Galvez Barrenechea. Outra teoria cita como inventoras freiras italianas em 1881.
Seja lá de onde surgiram, uma coisa é certa, a mistura, digna da realeza ganhou muitos corações mundo afora, foi aprimorada e hoje nos permite variações deliciosas. Ana Salvá que o diga.

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