
O prefeito de Cuiabá Abilio Brunini (PL) garantiu presença na manifestação em defesa do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL), marcada para o próximo domingo (03), na Praça do Choppão. Com o slogan “Reaja Brasil”, protestos similares estão previstos para acontecer em todo Brasil.
“Dia 03 de agosto nós estaremos em todo o país, inclusive aqui na Praça do Choppão, em manifestação Reaja Brasil. Vamos pelo Estado Democrático de Direito”, disse Abilio, na manhã desta terça-feira (29), reforçando que estará presente na condição de cidadão e não como prefeito da Capital.
Victor Ostetti
A mobilização nacional, organizada pelo PL, ocorre no momento de adaptação estratégica, considerando as medidas cautelares que restringem a movimentação de Bolsonaro. Entre elas, uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento noturno e prisão domiciliar aos finais de semana.
Um dos alvos do protesto é o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que impôs as cautelares e é relator da ação penal em que Bolsonaro é réu pela suposta trama golpista para impedir a posse do presidente da República Lula (PT) em 2023. No entanto, Abilio diz que a pauta é mais ampla.
“É uma manifestação pela Justiça, pelo Estado Democrático de Direito, é uma manifestação pelo amplo direito de defesa e do contraditório, é uma manifestação para que a pessoa que for condenada tenha todo o seu direito de passar pelo processo, que não seja condenada antecipadamente antes de ser julgada, analisada todas as condições. Hoje, nós temos no Brasil o Bolsonaro condenado previamente, julgado por juízes parciais, que já declararam muitas vezes o seu ódio contra o Bolsonaro. O próprio Barroso [presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso] disse que venceu o bolsonarismo”, completa o prefeito.
Segundo Abilio, o STF não tem imparcialidade para julgar Bolsonaro. Para o prefeito, a própria tornozeleira eletrônica sem condenação configura “abuso” de poder.
Embora Abilio veja abuso, a cautelar foi adotada pelo STF por conta de risco de fuga. Alexandre de Moraes também enquadrou Bolsonaro por coação no curso do processo.
“Qual é a imparcialidade que esses juízes têm para poder julgar o presidente Bolsonaro? Qual é a garantia que será julgado por um tribunal que vai seguir o rito legal do Estado Democrático de Direito? Isso já está rompido há muito tempo. Nós não podemos aceitar que esse tipo de abuso, por exemplo, como colocar a tornozeleira no cara sem ele ser condenado, sem ele ter uma ameaça, sem ter nenhuma suspeita de sair do país, não podemos aceitar. Hoje é ele, amanhã pode ser você, calado pela imprensa”, pontuou.
Além disso, Abilio contestou a proibição de Bolsonaro usar as redes sociais e conceder entrevistas. Como exemplo, cita a entrevista concedida por Lula quando estava preso em Curitiba (PR).
“O Lula deu entrevista na cadeia. O próprio Marcola [líder do PCC} deu entrevista na cadeia. Então, nós não podemos aceitar que o Estado Democrático de Direito, que a Constituição Brasileira, seja rasgado desse jeito”, concluiu.
No entanto, também Lula foi impedido de conceder entrevista, por decisão do ministro do STF Luiz Fux. A permissão para receber a imprensa foi dada quando o petista já estava cumprindo a pena.
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