Quando o seu melhor vira excesso: a linha invisível entre potência e sabotagem

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Rodinei Crescêncio/Rdnews

Nas minhas sessões de mentoria, é muito comum encontrar clientes que chegam com demandas já prontas, com a intenção de eliminar algo que eles entendem que está atrapalhando seus resultados.

Então, chega de tudo: desde aquele que diz “eu preciso deixar de ser centralizador. O meu chefe falou que eu tenho que parar de tentar controlar tudo e eu quero relaxar”… até aquele que traz: “o RH e o meu chefe me disseram que, se eu não mudar, não vai ter jeito. Esse meu jeito de falar com as pessoas, esse jeito mais duro…”.

Tem também quem diga: “fiz o DISC, aquela ferramenta de análise de perfil, e deu que eu tenho uma dominância muito alta e que isso está me atrapalhando”.

Ou o outro extremo: “eu sou muito bonzinho, ninguém me respeita, e eu preciso começar a falar mais firme. Meu chefe disse que o problema é que eu fico passando a mão na cabeça de todo mundo”. “ Nas várias dinâmicas da vida, nós encontramos pessoas com suas personalidades, suas condutas — algumas em excesso, outras em falta. E talvez, antes de sair reagindo automaticamente a tudo isso… A gente possa parar. Observar. O outro… e principalmente a si mesmo”

E tantas outras queixas que aparecem quando a gente fala de comportamento.

Hoje, eu gostaria de falar um pouco sobre isso com você.

Quero te trazer para esse campo da psicologia do profissional, do executivo — que, muitas vezes, conduz a própria vida como se estivesse seguindo uma receita.

Imagina que você foi feito a partir de uma receita. Uma receita mesmo, de um bolo.

E, ao longo da sua vida — desde a infância até os dias atuais — você foi ajustando esses ingredientes conforme os obstáculos que encontrou. Conforme a temperatura, o tipo de “fogão”, o ambiente, as pessoas, as experiências…

Você foi regulando os seus “temperos”.

E é nessa linha que eu quero te trazer para a sua realidade.

Não só na dinâmica profissional, mas também nas suas relações pessoais. Nos feedbacks que você recebe dentro da sua casa, da sua esposa, do seu marido, dos seus filhos, dos seus pais…

Ou até por essência mesmo: algo que já veio muito forte em você.

E que, se bem dosado, pode ser uma grande potência — porque, de fato, é em determinadas situações.

Mas que também pode ser excessivo em outras.

E, como eu sempre digo para vocês: a vida fala com a gente o tempo todo.

Diante dessas recorrências que eu recebi durante essa última semana, no meu set de sessões — na psicologia aplicada ao executivo — eu resolvi trazer essa reflexão para você hoje.

O que, dentro da sua dinâmica de vida, você percebe que — por falta ou por excesso — tem te prejudicado? Te travado?

O que, talvez, se você tivesse um pouco mais, faria você fluir melhor?

Seja no trabalho, nas amizades, no relacionamento amoroso…

E aquilo que, sem perceber, você acaba trazendo em alta dosagem — e que, se ajustado, poderia tornar as suas relações mais leves, mais fluidas?

Hoje, a minha reflexão é sobre isso.

É levar um pouco do que trabalhei em algumas sessões dessa semana para você que está aí, lendo este artigo…

E que acredita que pode desenvolver uma autoconsciência com atitude aplicada.

Compreender: por que isso é assim? de onde veio?

Veio da sua história? Da sua genética? “Meu avô era assim… meu pai também era…”

E, então, você acredita que pouco pode ser diferente?

Ou você reconhece que aprendeu a ser assim?

Diante de uma situação em que foi passado para trás… em que se sentiu feito de bobo… e, a partir dali, se endureceu…

E passou a repetir esse padrão em todas as situações que encontrou?

E, ao longo do tempo, percebeu que isso te fez perder algo… um certo encanto…

E que as pessoas, hoje, até apontam isso: “você não é mais como antes…”

E, no fundo, você sabe que perdeu mesmo alguma coisa ali.

Para hoje, nessa conexão minha com você, eu quero te convidar a olhar para isso.

E, ao mesmo tempo, ampliar esse olhar.

Porque, nas várias dinâmicas da vida, nós encontramos pessoas com suas personalidades, suas condutas — algumas em excesso, outras em falta.

E talvez, antes de sair reagindo automaticamente a tudo isso…

A gente possa parar. Observar. O outro… e principalmente a si mesmo.

E, a partir desse espaço de respiro e de autoconsciência, liderar melhor as nossas ações. As nossas respostas. As nossas escolhas no dia a dia.

E eu concluo aqui com você:

Se hoje você pudesse escolher um aspecto seu… um ingrediente da sua receita… aquele que você considera essencial na sua assinatura como pessoa…

Aquilo que, talvez, seja a sua maior riqueza — e que muitas vezes é reconhecido pelos outros antes mesmo de você perceber…

“Você é tão…” “Você sempre foi…”

Olhe para esse ingrediente agora.

O que ele tem de força? O que nele é bálsamo? O que nele é remédio?

E o que, nesse mesmo ingrediente, em determinadas situações, se torna veneno?

O que nele se torna excesso? O que nele se torna inadequado?

Fica aqui o meu convite:

olhe para isso com mais consciência.

Cynthia Lemos é psicóloga e empreendedora; fundadora da Grandy Psicologia Empresarial e escreve neste espaço quinzenalmente às quintas-feiras

Link da Matéria – via RD News

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