‘Cemitério esta cheio de mulheres que decidiram perdoar’, alerta Maria da Penha

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“O cemitério está cheio de mulheres que decidiram perdoar”. A declaração categórica é de Maria da Penha Fernandes, sobrevivente de uma tentativa de feminicídio e símbolo da luta contra a violência doméstica. Há mais de 40 anos, a ativista participa de ações de combate aos crimes contra o feminino. Ao longo das décadas, ela testemunhou a evolução da legislação e o endurecimento das penas, mas o cenário atual permanece preocupante: o número de mulheres assassinadas por questões de gênero segue em uma curva ascendente.

 

Em Mato Grosso, apenas na última semana, três feminicídios foram registrados, um número superior aos meses anteriores, que somaram dois casos em janeiro e fevereiro. O ano de 2025 foi um dos piores para as mulheres no estado, com 54 vidas ceifadas por maridos ou ex-companheiros. Essa estatística só é superada por 2020, ano em que o isolamento social decorrente da pandemia de covid-19 elevou o número de crimes para 62.

 

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“Quem vive a violência doméstica acredita que o pedido de desculpas vai valer. Mas ele não para. É como um vício. Ele vai matar”, alertou Maria da Penha. Autora de um livro sobre sua história de sobrevivência, ela hoje utiliza sua trajetória para ministrar palestras sobre direitos femininos. Após ser baleada e eletrocutada pelo então marido, Maria da Penha tornou-se cadeirante, transformando a dor em ativismo.

 

Diante de sua imensurável importância à causa, ela foi convidada a discursar em um evento da Avon, realizado no dia 11 de março, em São Paulo. A marca, historicamente engajada no apoio à autoestima e independência financeira feminina, apresentou uma reformulação de produtos e posicionamento de mercado, buscando modernização sem perder a essência cultivada em seus mais de 140 anos.

 

O evento reuniu parceiros estratégicos e formadores de opinião para oficializar uma transformação que a companhia define como uma “reprogramação completa”. O resultado é o que a empresa chama de FemTech: “a startup do feminino”. A diretora de marketing da marca, Tatiana Ponce, destacou o compromisso de fortalecer a presença da empresa na defesa dos direitos das mulheres nesta nova fase.

 

“Quando chegamos a uma posição como esta, se não formos autênticas e trabalharmos além do protocolo, não estaremos fazendo o trabalho direito. Temos o compromisso de levantar essa bandeira em favor umas das outras”, afirmou a executiva. “Com mais de três milhões de representantes, a Avon tem o dever de influenciar com esse propósito”, completou.

 

Mais do que uma marca de beleza, a Avon se destaca pelo incentivo ao empreendedorismo feminino desde o século XIX, quando ser revendedora era uma das poucas alternativas para mulheres conquistarem autonomia financeira. Hoje, 140 anos depois, a dependência econômica ainda é um dos principais fatores que mantêm mulheres em relacionamentos abusivos.

 

Dados do Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), reforçam esse cenário: as principais vítimas de feminicídio no estado são mulheres de baixa renda e baixa escolaridade. Das vítimas registradas em 2025, a maioria possuía apenas o ensino fundamental ou médio. Em sua maioria, eram mulheres entre 25 e 29 anos, mortas dentro de casa e por armas cortantes.

Link da Matéria – via Gazeta Digital

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