
Morreu a cantora Adriana Araújo, aos 49 anos, nesta segunda-feira (02), após sofrer um aneurisma cerebral na noite de sábado (28), em Belo Horizonte. A artista estava internada no Hospital Odilon Behrens, após passar mal em casa e desmaiar. Ela foi levada inicialmente a uma UPA, onde o quadro foi constatado.
Segundo nota divulgada nas redes sociais pela equipe da cantora, a lesão provocou uma “hemorragia de grande extensão”. Adriana permaneceu em coma, sob cuidados intensivos. “Os médicos nos informaram que o quadro é gravíssimo e irreversível”, informou o comunicado divulgado anteriormente.
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Em nota, publicada nesta segunda, a equipe da cantora a descreveu como alguém de “abraço largo, sorriso fácil, coração generoso e uma alegria de viver que iluminava todos ao seu redor”. A morte de Adriana Araújo representa uma perda profunda para o samba mineiro e para a cena cultural da capital.
Trajetória
Considerada uma das mais proeminentes vozes do samba da capital mineira e um dos nomes mais representativos do samba produzido em Minas Gerais, Adriana Araújo nasceu em 1976 na comunidade Pedreira Prado Lopes (PPL), uma das maiores e mais antigas favelas de Belo Horizonte, localizada na tradicional região da Lagoinha, conhecida como berço do samba na cidade.
Cantora, compositora, mãe, mulher negra e sambista de Belo Horizonte, revelou o gosto pela música ainda na infância. Foi aluna de Marlene Silva, bailarina, coreógrafa, pesquisadora e professora mineira conhecida como a “Dama da dança afro-brasileira”, falecida em 2020. Referência para gerações de artistas negros da capital, a mestra influenciou o caminho de Adriana para as artes por meio de oficinas gratuitas de dança afro realizadas na PPL.
Em sua formação artística, também frequentou oficinas de teatro oferecidas pela Prefeitura de Belo Horizonte e estudou técnica vocal com o professor Athonio Marra.
Antes da carreira solo, integrou o grupo Simplicidade Samba ao lado do sambista Evaldo Araújo, com quem era casada. As apresentações do grupo na tradicional roda de samba aos domingos, no Bar do Cacá, no bairro São Paulo, região Nordeste da capital, tornaram-se referência e conquistaram grande público.
Em 2020, Adriana iniciou a carreira solo. Durante a pandemia, para manter o trabalho musical e ajudar pessoas da comunidade, passou a realizar lives da laje de casa. Ao todo, foram cinco transmissões que também serviram como campanhas solidárias, com arrecadação de recursos e doação de cestas básicas para famílias dos bairros Primeiro de Maio, São Marcos e para o Projeto Ajudar BH.
Dona de voz marcante e performance intensa, conquistou admiradores dentro e fora do samba. Em 2021, lançou o álbum autoral “Minha Verdade”, reunindo composições próprias e parcerias. O disco aborda temas como ancestralidade, amor, negritude e os aprendizados que marcaram sua trajetória como mãe, mulher negra e sambista.
Ao longo da carreira, se apresentou na Virada Cultural de BH, no Festival Sensacional, no Carnaval de Rua da capital e na Virada da Liberdade, realizada na Praça da Liberdade, além de outros grandes palcos da cidade. Em 2024, realizou a turnê “A Voz Ecoando”, visitando diversas cidades de Minas Gerais.
Nos milhares de shows realizados, dividiu palco com nomes consagrados do samba, como Leci Brandão, Fabiana Cozza, Arlindinho e Jorge Aragão. Também participou das celebrações do Dia da Consciência Negra ao lado da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, no Grande Teatro do Palácio das Artes, sob regência do maestro convidado Ângelo Rafael Fonseca, em apresentação do projeto “Concertos da Liberdade”.
Adriana se destacou como uma das grandes vozes femininas do samba mineiro, cenário protagonizado por mulheres autorais como Manu Dias, Aline Calixto e Cinara Ribeiro. Com o objetivo de evidenciar o protagonismo feminino e valorizar o legado das mulheres negras no gênero, idealizou o espetáculo “Adriana Araújo Canta Alcione”, homenagem a uma das mais icônicas intérpretes do samba brasileiro.
Negra de pele retinta, fez da cultura e da arte um palco de resistência. Carregava o orgulho de pertencer à sua comunidade de origem e disseminava, por meio da voz, a potência do samba de Belo Horizonte e a riqueza da cultura brasileira.
Em maio de 2025, o quadro Favela S.A do Balanço Geral MG destacou talentos que surgiram nas comunidades da Grande BH e conquistaram o reconhecimento mundial. A cantora Adriana Araújo revisitou a Pedreira Prado Lopes refletindo sobre sua carreira no samba e as raízes de sua força.

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