
O vereador por Cuiabá Daniel Monteiro (Republicanos) afirmou, nesta quinta-feira (11), que o prefeito Abilio Brunini (PL) ainda não superou o “não” ao convite para ser secretário de Educação. A proposta ocorreu no ano passado, mesmo com a relação tensa entre ambos. Para o político, a rejeição justifica os ataques do gestor a ele. Monteiro o considera centralizador e defende que “não vale a pena” manter embates públicos que não resolvem os problemas da cidade.
A declaração surgiu após o prefeito comparar a postura do parlamentar ao personagem Rolando Lero, do programa Escolinha do Professor Raimundo, conhecido por falar de forma rebuscada e fazer discursos longos que, no fim, não diziam quase nada. A comparação ocorreu após Daniel votar contra a abertura de uma Comissão Processante para investigar o vereador Chico 2000 (sem partido), alvo da Operação Gorjeta, da Polícia Civil, que apura suposto desvio de emendas envolvendo a Câmara e a Secretaria de Esportes.
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Segundo Daniel, o prefeito ainda não teria “superado” a recusa, no ano passado, a um convite para integrar a gestão municipal na área da Educação.
“Quando ele me convidou e me elogiou, falando que eu era o mestre dos mestres, que eu sabia tudo de educação, eu falei não para ele. Acho que ele não aceitou ainda, não digeriu o que eu falei. Então ele está caçador. Eu espero que um dia consiga superar, porque eu só trabalho para quem eu respeito, e eu não tenho respeito intelectual por ele”, disse após sessão.
Durante a votação, Daniel defendeu que a Casa precisa respeitar o prazo legal de 60 dias para a investigação. Ele também criticou o que chamou de “modus operandi” do prefeito de acusar adversários de corrupção, mencionando o episódio envolvendo a vice-presidente da Câmara, vereadora Maysa Leão.
“Esse modus operandi de falar que todo mundo é ladrão, que todo mundo é corrupto, uma hora vai parar de funcionar. Ele chegou a prefeito fazendo isso, mas agora as pessoas querem ver resultado. E essa hipocrisia de apontar o dedo para todo mundo, ao mesmo tempo, em que blinda um dos seus secretários, acusado de assédio sexual, é muito grave”, afirmou Monteiro.
Discussão na Câmara
A troca de farpas entre a vereadora Maysa Leão (Republicanos) e Abilio ocorreu em meio à repercussão do caso envolvendo o ex-secretário William Leite, que pediu demissão após denúncias de corrupção e abuso sexual. Ao comentar o episódio, que quase resultou na abertura de uma CPI, o prefeito acusou a vereadora de “indignação seletiva”.
Para sustentar a crítica, Abilio relembrou uma audiência pública presidida por Maysa, em agosto do ano passado, quando uma adolescente de 16 anos relatou abusos sofridos no ambiente familiar. O caso gerou questionamentos à época, mas foi arquivado pelo Ministério Público de Mato Grosso, que concluiu não haver risco à menor, destacando que sua identidade foi preservada e que a transmissão foi interrompida.
Rememorar o episódio, para o vereador Daniel, é uma “distração” ao tema da discussão, acusação contra o secretário, e um tempo que poderia ser usado para fins mais compatíveis ao cargo.
“Enquanto ele deveria estar cuidando desses problemas da cidade, ele está vindo aqui bater boca com a vereadora Maysa Leão”, declarou.

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