
No mês passado, 16 clubes e uma liga filiados à Federação Mato-grossense de Futebol (FMF) elegeram Diogo Pécora como o novo presidente da entidade. O advogado, que anteriormente presidia o Tribunal de Justiça Desportiva (TJD), chegou ao cargo sob as bençãos de Francisco Mendes, diretor do IDP (instituto que mantém contratos com a CBF e promove a CBF Academy) e filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. Pécora contou ainda com o apoio direto de Aron Dresch, impedido de buscar a reeleição, e de Luciano Hocsman, interventor enviado pela CBF.
Hocsman, que também preside a Federação Gaúcha, desembarcou em Cuiabá em junho com a missão de “resolver o impasse” criado pelas irregularidades flagradas na gestão de Dresch, que incluem desde compra de votos até manipulação de resultados. Contudo, em vez de manter a neutralidade no processo eleitoral, o dirigente gaúcho tornou-se peça-chave na disputa mais acirrada dos últimos 48 anos. Com o aval de Samir Xaud, presidente da CBF e também da Federação de Roraima, Hocsman teria “patrocinado” cursos, viagens e outras benesses que aproximaram os dirigentes da chapa vencedora.
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Embora tenha prometido uma “gestão revolucionária e superior à de seu antecessor”, Pécora desapareceu. Desde a eleição, em novembro, o dirigente não foi mais visto e sequer manteve contato com os presidentes de clubes para confirmar a data de início do Campeonato Estadual de 2026. No site da FMF, a tabela permanece com datas em aberto.
Esta semana, a ausência de liderança já mostrou seus primeiros reflexos. Dirigentes descobriram que o carro japonês, anunciado por Hocsman como prêmio ao campeão, possui uma restrição de venda por dois anos, tornando o prêmio um verdadeiro “presente de grego”. Além disso, o atual campeão, Primavera, anunciou a impossibilidade de realizar o jogo de abertura contra o Chapada, pois o Estádio Cerradão, pertencente à Prefeitura de Primavera do Leste, segue em obras.
Para completar o cenário de incertezas, o site oficial da FMF ainda exibe a foto e o nome de Hocsman como mandatário da entidade. Talvez não seja mera coincidência, mas um sinal de quem realmente detém o poder. Onde estaria Pécora no último dia útil do ano? Talvez fazendo as malas para o “Trem da Alegria” da CBF, que levará presidentes de federações para uma turnê pela Europa em janeiro. Enquanto isso, falta apenas 11 dias para o início do Campeonato Mato-grossense.

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