
Tentante da PM, Rennan Albuquerque de Melo, 34, preso neste sábado (27), após atirar na cabeça de um motorista de aplicativo na quinta-feira (19), no Goiabeiras, em Cuiabá, tem um histórico de violência fora da atuação como policial. Ele já foi acusado de agredir um idoso, um menor de 15 anos e a ex-mulher.
O caso da ex-mulher é de 2021. Ela relatou que foi agredida por Rennan com tapa na cara e depois ameaçada. Já em março de 2024,ele foi acusado de invadir a casa do cantor Lourival Valério, 60, conhecido como “Carretel”, onde o agrediu juntamente com outros policiais descaracterizados para, supostamente, apurar uma denúncia de tráfico.
O crime também foi filmado por um parente da vítima e mostra o momento em que os policiais chegam ao imóvel e agridem as testemunhas com socos e empurrões.
Em janeiro de 2025, foi filmado enforcando um adolescente de 15 anos, dentro do condomínio em que ele mora – mesmo que foi preso neste sábado -, na região da avenida Antártica.
Segundo o registro, ele havia questionado o jovem após perceber que seu carro estava riscado e exigiu que ele apontasse o responsável pelo dano. Em seguida, segurou o jovem pelo pescoço e o estrangulou, exigindo que ele apontasse o autor. Imagens de segurança mostram toda a ação.
Na época, a PM informou em nota que “o policial já foi afastado” e que estava sendo investigado pela Corregedoria-Geral. Já sobre a prisão por tentativa de homicídio, a PM não se manifestou ainda.
Prisão e mentira
O tenente Albuquerque foi preso por volta das 6h deste sábado (27), em um condomínio localizado na região do Ribeirão da Ponte, pela equipe de investigadores da DHPP, bem como membros da corregedoria da PM e da Força Tática. No local foram apreendidos 3 telefones celulares.
Era tarde de quinta-feira (19), quando a vítima seguida em um Nissan Versa pelo bairro Goiabeiras, quando foi atingido na traseira por um Jetta.
Reprodução
Por causa da batida, os motoristas começaram a discutir. O motorista do Jetta, que só foi identificado após a investigação, pegou uma arma no carro e disparou várias vezes contra o veículo do motorista de aplicativo.
Vítima correu a pé pedindo ajuda na região. Socorrido, foi encaminhado para o Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) com uma lesão craniana, que por pouco não perfurou a cabeça. Outro disparo atingiu sua coxa esquerda.
Delegado Caio Albuquerque contou, em coletiva de imprensa, que o motorista de aplicativo conseguiu filmar parte da ação criminosa do militar.
Com a placa do veículo em mãos, a polícia chegou até o proprietário, que é a esposa do militar. Porém, foi descoberto que no dia do crime, mementos depois, a esposa do militar comunicou o furto do carro e fez um boletim de ocorrência. Não demorou muito para o veículo ser localizado.
Para o delegado, a tática foi para afastá-lo da autoria da tentativa de homicídio. Agora, além do primeiro crime, ele também é investigado por falsa comunicação de crime.
“Pelas imagens, a gente verifica que, ao contrário do que é noticiado, no sentido de que o carro foi furtado, quem leva o veículo é o próprio dono, no caso, o militar”.
Nas imagens que a DHPP teve acesso, o militar é flagrado dirigindo o carro e parando na conveniência de um posto, na avenida Dubai, logo após dar queixa do furto.
“Ele fica por um tempo ali, entra no veículo e saí sentido a avenida. Depois, vem a notícia de que o veículo foi localizado. Então, é uma nova comunicação, voltando a dizer que o veículo foi furtado e depois foi localizado. Mas, pelas imagens, que são muito claras, fica evidenciado que não há furto”, disse.
Delegado destacou ainda que, logo após a comunicação de que o carro foi encontrado, a militar informou que ele estava sem as placas. “Então, é mais um crime, no sentido de falsificação, de adulteração de sinal”, destacou. O tenente Albuquerque segue preso e vai passar por audiência de custódia nas próximas horas.

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