
O crescimento das apostas online, em especial dos cassinos virtuais, tem preocupado o setor do comércio. De acordo com o superintendente da Federação de Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio), Igor Cunha, medidas precisam ser tomadas para minimizar os impactos financeiros negativos na renda das famílias mato-grossenses e o comércio varejista, além da economia como um todo.
Joédson Alves/Agência Brasil
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) chegou a encaminhar, no fim de setembro, um ofício ao Presidente Lula (PT) em que manifesta grande preocupação.
“Famílias de baixa renda, ao destinar parte significativa de seus ganhos para apostas na esperança de grandes lucros, podem acabar se endividando, comprometendo seu poder de compra. Isso pode impactar o consumo básico, como alimentação e vestuário”, afirma.
Além disso, o superintendente afirma que isso pode causar a redução do consumo responsável. Isso porque, segundo ele, a acessibilidade das apostas online torna mais fácil para as pessoas utilizarem seus recursos de forma impulsiva, afetando o planejamento financeiro de longo prazo, principalmente em lares com menor educação financeira. “ Famílias de baixa renda, ao destinar parte significativa de seus ganhos para apostas na esperança de grandes lucros, podem acabar se endividando, comprometendo seu poder de compra. Isso pode impactar o consumo básico, como alimentação e vestuário” Igor Cunha, presidente da Fecomércio
“Parte do orçamento familiar, que poderia ser destinada ao consumo de bens e serviços no comércio tradicional, está sendo direcionada às apostas online. Isso pode reduzir o volume de vendas em diversos setores, especialmente em produtos não essenciais”, avalia.
Por fim, Igor destaca a concentração de renda fora do Brasil, limitando o impacto positivo no comércio local, visto que as empresas de apostas são, em sua maioria, internacionais. Diante do cenário que preocupa o setor, a Fecomércio tem estudado meios de mitigar os impactos negativos das apostas no comércio, dando prioridade à educação financeira.
“Promover campanhas de educação financeira junto ao comércio e ao público em geral, focando na conscientização sobre os riscos das apostas e na importância de um consumo consciente pode ajudar as famílias, especialmente as de baixa renda, a entender os riscos de perder dinheiro em apostas e equilibrar melhor seu orçamento, evitando gastos compulsivos”, explica Igor.
Além disso, a Federação pretende fazer parcerias com instituições de apoio, ONGs e entidades que promovem a conscientização e o combate ao vício em jogos e apostas, como grupos de apoio a pessoas que enfrentam problemas de compulsão por apostas.
“Essas parcerias podem fornecer apoio psicológico e social para indivíduos afetados, ajudando a reduzir os impactos negativos no comércio local, que pode sofrer com a diminuição do poder de compra das famílias”, aponta.
Por fim, a entidade estuda criar um “Selo de Consumo Responsável” para comerciantes que se comprometam a não promover ou se associar a plataformas de apostas em seus pontos de venda. “Esse selo pode ajudar a criar uma cultura de responsabilidade social”, finaliza.
Apostadores endividados
De acordo com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), entre 2023 e 2024, os brasileiros gastaram aproximadamente R$ 68 bilhões em apostas, valor que representa 22% da renda disponível das famílias no período. Esse fenômeno tem afetado diretamente o orçamento familiar, com muitos consumidores redirecionando seus recursos, que antes eram destinados à aquisição de bens essenciais e serviços, para jogos de azar.
Estudo realizado pela CNC aponta que mais de 1,3 milhão de brasileiros já se encontram inadimplentes devido às apostas em cassinos online, com um impacto devastador sobre a saúde financeira das famílias, especialmente as mais vulneráveis, como jovens de baixa renda.
Autorização das bets
Desde a promulgação da Lei nº 13.756, em 2018, as apostas esportivas online estão autorizadas, mas a maioria desses sites de apostas está, atualmente, hospedada em outros países. No fim de 2023, o Congresso aprovou e o Governo Federal sancionou a lei que regulamenta as apostas online no Brasil e impõe regras para que as empresas possam operar no país, inclusive estipulando pagamento de impostos. Com essa regulamentação, a partir de 2025, as empresas precisarão estar hospedadas no Brasil, seguindo as regras do país, o que segundo o Governo Federal, vai ajudar na fiscalização.Entre na comunidade de WhatsApp do Rdnews e receba notícias em tempo real . (CLIQUE AQUI )

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