
Tribunal de Justiça de Mato Grosso confirmou, na manhã desta terça-feira (16), a dissolução do Conselho de Sentença do Tribunal do Júri, que tem como réu o investigador de Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva, que começou nesta segunda-feira (15). A decisão foi tomada após um conflito entre a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira e os advogados de defesa do réu. O julgamento será retomado às 8h de quarta-feira.
Conforme divulgado pelo , o advogado Claudio Dalledone contou que, em um dos conflitos, a magistrada teria dito “que se dane a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)”. A ação foi filmada.
Porém, uma fonte ouvida pela reportagem alertou que, durante a sessão do julgamento, os advogados do réu se comportavam de forma agressiva, gritavam, foram “absurdamente grosseiros” e até misóginos.
“Ela determinou que a comissão de prerrogativas, a instituição da OAB fosse retirada pela polícia do plenário, o advogado tem um conjunto de direitos que se chama prerrogativas, elas devem ser respeitadas e elas estavam sendo violadas, tudo isso pelo uso de autoridade da magistrada, acompanhada pelos dois promotores”, disse Dalledone.
Para o advogado, o ato se mostrou um ‘absurdo completo’. “Isso era visto nas ditaduras mais cadentes e ardentes, isso é um absurdo, mexeu com um advogado, mexeu com todos, a OAB do Brasil inteiro mobilizada e pediremos a dissolução do conselho de sentença”, finalizou.
Diante dos conflitos que marcaram o primeiro dia do júri, na retomada dos trabalhos, já na manhã desta terça-feira (16), a magistrada determinou a dissolução. Mônica Perri ressaltou ainda sua preocupação que os fatos contaminem o entendimento dos jurados, o que motivou a dissolução do Conselho de Sentença.
Um novo julgamento será iniciado na quarta-feira (17), às 8h, com a composição de um novo Conselho de Sentença, ou seja, com novos jurados.
“A magistrada exortou aos advogados que não gravem a audiência, em especial os jurados, o que foi um dos motivos para a dissolução do Conselho de Sentença. Ela pediu ainda que os advogados mantenham a urbanidade e o respeito para boa condução dos trabalhos”, explicou o TJ.
Crime
O policial civil Walfredo Raimundo Adorno Moura Junior e seu amigo, o policial militar Thiago Ruiz, chegaram juntos à conveniência de um posto de combustíveis de Cuiabá durante a madrugada. Mário chegou depois e foi apresentado a Thiago. Pelas câmeras de segurança, foi possível ver suspeito e vítima conversando até que o PM mostra sua arma na cintura, e, neste momento, o policial civil toma o revólver.
Eles começam a discutir até que partem para a agressão. Em determinado momento, eles caem ao chão, e Mário então atira em Thiago. Ele teria desconfiado que Thiago não era PM e, por isso, decidiu tomar a arma.
Mário se apresentou à polícia menos de 24 horas após ter cometido o crime. Em seu depoimento, não soube explicar por que tomou a arma do PM, contudo, justificou que atirou por temer que a vítima o matasse durante o desentendimento.

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