
O Centro Histórico de Cuiabá vive um momento delicado. A combinação de insegurança, aumento da população em situação de rua e a forte concorrência do comércio online afastou clientes e esvaziou corredores tradicionais da região. Apesar de vereadores tentarem impulsionar ideias e pequenos projetos para reanimar o local, nenhum deles apresentou resultado concreto até agora.
Somado a este cenário, foi aprovado projeto que autoriza servidores municipais a adotarem o teletrabalho durante as obras do Bus Rapid Transit (BRT), o que contribuirá para a redução do fluxo de pessoas na região comercial.
Diante desse cenário, o prefeito Abílio Brunini (PL) foi questionado sobre quais medidas o Executivo pretende adotar para ajudar os comerciantes. A resposta, porém, foi direta: ‘A prefeitura não é responsável por levar consumidores ao Centro, e os empresários precisam se adaptar ao novo comportamento do mercado’.
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Em entrevista à imprensa, o prefeito explicou que os modelos tradicionais de comércio de rua estão em decadência em todo o país, citando o exemplo das populares 25 de Março e do comércio do Brás. “Se você observar, o Brás e a 25 de Março estão morrendo em São Paulo. Até chineses falam isso. O modelo de negócio está morrendo, as pessoas compram mais pela internet. A probabilidade de alguém sair para pegar o calorzão de Cuiabá é menor”, argumentou.
Abílio afirmou que o Centro precisa reavaliar suas funções e observar exemplos de setores que ainda prosperam: “Em ruas de salões de beleza, estão todos cheios. Mas a rua é vazia. O salão tem ar-condicionado, pessoas para atender, oferecem refrigerante e se adaptam”, pontuou.
O prefeito relatou que tentou estimular o movimento local quando criou a Feira do Centro, na Rua 13 de Junho. O evento promovia uma alternativa de lazer e compras para famílias cuiabanas, com música, cultura, gastronomia e boas oportunidades de negócio. Mas, disse que foi “voto vencido”, porque lojistas pediram a exclusão de comerciantes informais.
“Eu tentei fazer uma feira na 13 de Junho, mas me disseram que eu estava atrapalhando. Eles não queriam que houvesse ambulantes.”
Ainda na entrevista, o prefeito criticou a Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL Cuiabá). Segundo ele, a entidade opta apenas por promover militância sem discutir ações interessantes para o comércio e, por isso, prefere evitar conversas.
“A CDL está política, nem tenho contato com eles. Eles fazem mais manifestações políticas do que querer colaborar. Eles querem que a gente cubra a rua e traga clientes. Eles têm autonomia de cuidar da parte comercial, mas eu a reinventaria.”
O prefeito reforçou que há policiamento e condições básicas para parcerias, faltando apenas criatividade e abertura dos comerciantes: “Se quiserem a prefeitura como parceira, levem gastronomia, coloquem ambulantes. O povo gosta de gente e de movimento. Essa mudança de mentalidade eles precisam fazer”, finalizou.

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