
Mulheres que sofrem violência doméstica e podem se tornar vítimas de feminicídio, crime que tem aumentado no país a cada ano, precisam de mais do que investimento em segurança pública, mas também em ações educativas e de amparo social, avalia a promotora de Justiça do Ministério Público do Estado (MPE), Claire Vogel Dutra, em entrevista ao .
Rodinei Crescêncio/ Rd News
“Você vai prende os agressores, não vai resolver porque são problemas sociais muito complexos que demandam investimentos em muitas outras áreas, não só o investimento em educação, é investimento em ação social, em saúde, na segurança pública, mas não só na repressão, mas na prevenção. Então a gente sabe que há várias situações que precisam e que demandam investimentos”, disse a promotora.
Como explicou Dutra, o aumento da violência contra a mulher, que em muitos casos termina em feminicídio, envolve uma rede complexa de problemas sociais e uma das frentes precisa ser, inclusive, a assistência psicológica para as mulheresm para amparar as vítimas de violência psicológica, uma das principais praticadas pelos companheiros. “Esse tipo de assistência deve tratar também a dependência emocional e sintomas de estresse pós-traumático, transtorno desenvolvido em situações traumáticas e que vem se tornando presente na vida das vítimas”, pontua.
Em referência a campanha de prevenção ao suicídio que ocorre nos meses de setembro, a promotora ainda chamou atenção para os casos cometidos pelas mulheres que vivenciaram a violência doméstica. “Tem várias situações em que não houve um feminicídio, mas houve um suicídio de uma mulher. Ela acaba se matando, às vezes. Mas se ela não tivesse se matado, poderia ser uma vítima de feminicídio, porque ela não vê mais saída daquilo”, afirmou.
Outra medida destacada pela promotora é a criação do que ela chama de “grupos reflexivos” voltados para os agressores. Assim como esta, Claire ainda discutiu a importância de projetos em escolas para trabalhar a prevenção da violência e discutir condutas perigosas para as mulheres que estão dentro de um relacionamento heteroafetivo. Na sua visão, essas ações educativas podem ser tanto públicas como privadas.
Investimento em qualificação e ampliação de creches
Dependência financeira e falta de creches pesam na decisão de sair do relacionamento, ainda que a mulher saiba que está vivendo um ciclo de violência. Por isso, o investimento em qualificação e fomento do empreendedorismo para vítimas de violência é um passo importante para que elas consigam sobreviver sem precisar conviver com o agressor. Como explicou a promotora, muitas mulheres deixam de trabalhar por pressão dos próprios companheiros ou não concluem o ensino médio, questão que afeta diretamente na renda.
A promotora salientou que nesses contextos, as mulheres mães são as mais vulneráveis, isso porque somado à falta de emprego e renda própria, são elas que cuidam integralmente dos filhos. Nesse sentido, a ampliação no número de creches é uma política que pode ajudar na conquista de independência dessas mulheres.
“Aquela vítima às vezes está lá [no relacionamento] porque não tem condições de trabalhar e não tem um salário, depende financeiramente daquele agressor e que volta pra ele porque tem os filhos para sustentar e, às vezes, ela não conseguiria sozinha. Então, ela fica num relacionamento agressivo, tóxico, por medo de passar fome com as crianças. É preciso investir na qualificação dessa mulher. Empreendedorismo é importantíssimo para que ela possa gerar a própria renda”, explicou.
Mais policiais especializados na defesa da mulher
Já dentre as medidas no campo da segurança pública, Dutra mencionou a necessidade de mais policiais especializados no atendimento das vítimas de violência, bem como delegacias voltadas apenas às mulheres. Somado a isso, ela ainda afirmou que é preciso ampliar as patrulhas da Maria da Penha, o monitoramento eletrônico e o botão do pânico.
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