
O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT ), conselheiro Sérgio Ricardo, reagiu à possibilidade da renovação do contrato de concessão da Energisa por mais 30 anos. Segundo ele, a empresa não respeita cláusulas contratuais e tem parcela de culpa na desindustrialização do estado.
“Aqui em Cuiabá, no próprio Distrito Industrial, a energia elétrica é de péssima qualidade. Pouquíssimos municípios do Estado de Mato Grosso têm a energia trifásica. Não tem como uma indústria se instalar se não tiver a energia trifásica. Não tem como o Mato Grosso se desenvolver se não for pela industrialização que gera emprego. A Energisa tem grande culpa no fato do Estado ser um Estado sem indústria. E temos que pensar no futuro”, disse Sérgio Ricardo, na manhã desta terça-feira (23), após lançamento do livro “Defesa Recursal nos Tribunais de Contas”, de sua autoria.
Tony RibeiroTCE-MT
Segundo Sérgio Ricardo, a falta de indústrias em Mato Grosso gera concentração de renda e pobreza. Por isso, defende uma “virada de chave” com políticas de distribuição de renda.
“O Estado não vai para lugar nenhum com a concentração de riqueza e a distribuição da pobreza. “Mato Grosso é um Estado rico, cada vez mais pobre. A pobreza de Mato Grosso está se transformando em miséria. Só em Cuiabá e Várzea Grande nós temos 80 favelas. Então, Mato Grosso tem que dar uma virada de chave. Nós temos que criar oportunidade industrializando o Mato Grosso. E, criando oportunidade, qualificar os seus trabalhadores”, completou.
Sérgio Ricardo também contesta o discurso oficial que Mato Grosso vive o pleno emprego. Neste sentido, argumenta que quase 30% da população é dependente do Bolsa Família.
“Hoje, em Mato Grosso, não dá para entender e não dá para admitir que, num Estado que tem 3,8 milhões de habitantes, nós tenhamos 1 milhão de pessoas, quase 30%, com Bolsa Família. Então, nós não somos um Estado de pleno emprego”, concluiu.
Ao contestar a concessão de Energisa, Sérgio Ricardo faz coro com deputados estaduais que se mobilizaram e foram para Brasília tratar do assunto. Como resultado da mobilização, conseguiram compromisso do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, de não decidir sobre a renovação ainda em 2025.
Enquanto isso, os deputados destacaram que a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) se prepara para intensificar as audiências públicas e coletar denúncias de consumidores, no intuito de definir os rumos da concessão e garantir os interesses da população sobre os da empresa.

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