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Valores de pressão arterial entre 12 por 8 e 13,9 por 8,9 mmHg passam a ser considerados pré-hipertensão no Brasil. A mudança faz parte da nova Diretriz Brasileira de Hipertensão 2025, apresentada no 80º Congresso Brasileiro de Cardiologia, nesta quinta-feira (18). O documento foi elaborado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH).
Segundo o cardiologista Fábio Argenta, que participou da elaboração do documento, esse novo enquadramento é um sinal de alerta para milhões de brasileiros.
“A pré-hipertensão não é uma doença em si, mas um sinal de alerta. Nessa faixa, é fundamental adotar hábitos de vida mais saudáveis para evitar que a pressão evolua para hipertensão”, explica ele, que é diretor do Departamento de Hipertensão Arterial da SBC.
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Cardiologista Fábio Argenta, que participou da elaboração de documento apresentado no 80º Congresso Brasileiro de Cardiologia
Até então, só recebia o diagnóstico de hipertensão quem apresentava pressão igual ou acima de 14 por 9 mmHg em duas ocasiões diferentes. Agora, a inclusão da pré-hipertensão cria uma zona intermediária, permitindo que médicos e pacientes atuem de forma preventiva.
Argenta lembra que a pressão considerada “normal” é aquela que se mantém abaixo de 12 por 8 mmHg. Já o diagnóstico de hipertensão deve ser confirmado com exames como a monitorização residencial (MRPA) ou a monitorização ambulatorial (MAPA).
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Como prevenir
Para o cardiologista, pequenas mudanças podem fazer grande diferença:
Reduzir o consumo de sal e evitar ultraprocessados.
Manter peso saudável.
Praticar atividade física regularmente.
Dormir bem e controlar o estresse.
Não fumar e evitar excesso de álcool.
“Essas medidas são a base da prevenção, mas ganham ainda mais relevância para quem está na faixa de pré-hipertensão”, reforça o médico.
Metas e tratamento
De acordo com a diretriz, a maioria das pessoas deve manter a pressão abaixo de 13 por 8 mmHg. Em muitos casos, ajustes no estilo de vida já são suficientes para o controle. Quando há necessidade de remédios, as opções atuais são eficazes e podem até combinar dois ou três princípios ativos em um só comprimido.
Situações especiais, como diabetes, obesidade, doenças renais ou gestação, exigem cuidado diferenciado, mas os objetivos de controle da pressão são os mesmos.
Recado final
Para Argenta, o ponto-chave é não interromper o tratamento. “Parar a medicação pode dobrar o risco de infarto, derrame e insuficiência renal. A hipertensão pode ser controlada, e isso significa viver mais e melhor, evitando complicações graves”, conclui.

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