
O prefeito Abilio Brunini (PL), defensor da PEC da Blindagem e da anistia aos presos do 08 de janeiro de 2023, fez pouco caso da manifestação realizada contra essas pautas, nesse domingo (21), em Cuiabá. Segundo ele, o protesto serviu para deixar claro que a esquerda não se cria em Mato Grosso.
“Acho que eles entenderam que no estado de Mato Grosso, inclusive Cuiabá, não caem nessa conversa fiada da esquerda. Alguns outros estados mais vocacionados ao movimento da esquerda podem até ter uma manifestação um pouco maior. Aqui no estado do Mato Grosso a esquerda não se cria”, disse Abilio, na manhã desta segunda-feira (22), ao ser questionado sobre a força da mobilização.
Rodinei CrescêncioRdnews
Além disso, Abilio aproveitou para responder uma provocação do ator Wagner Moura. Ele liderou o protesto contra a PEC da Blindagem e PL da Anistia realizado em Salvador (BA).
“Como o Wagner Moura disse lá em Salvador, que lá a direita não se cria, a gente pode responder ao Wagner e a esquerda: aqui é Mato Grosso é esquerda não se cria”, completou.
Para Abilio, a manifestação pode ter fortalecido a esquerda em cidades onde já tem relevância eleitoral. Ao avaliar o movimento em Cuiabá, afirmou que os participantes só passaram vergonha.
“Aqui no estado do Mato Grosso [a esquerda] só passou vergonha (…) Então, é como se a gente vivesse em outro país, aqui é outro estado, aqui é outra região, aqui é outra cultura, aqui o povo gosta de trabalhar”, disse.
Para Abilio, a população não pode cair na narrativa da esquerda sobre PEC da Blindagem. Neste sentido, argumenta que o objetivo é somente preservar a prerrogativa dos congressistas diante das perseguições do Supremo Tribunal Federal (STF).
Sobre a anistia, Abilio defende que a solução passa pela vitória eleitoral da direita em 2026. No momento, avalia que o Brasil vive uma “democracia relativa” e que dificilmente a matéria prosperará.
“Passa no Congresso, passa na Câmara, passa no Senado, o presidente [Lula] veta e volta pro Congresso, derruba o veto, um deputado sem emoção entra no Supremo, o Supremo ignora todo mundo trabalhando e derruba [a anistia]. Então assim, nós vivemos nessa democracia relativa, onde o Congresso, que é a maior parte da representação da população, praticamente não tem valor na sua representatividade. Então, vamos aguardar por coisas assim”, concluiu.
Protesto em Cuiabá
Dezenas de manifestantes se reuniram, na Praça Cultural do CPA 2, em Cuiabá, nas manhã de ontem, para protestar contra o PL de Anistia que pode favorecer o ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL) e bolsonaristas presos e condenados por envolvimento do ataque de 8 de Janeiro de 2023, de contestação às urnas.
Usando roupas vermelhas e amarelas, com faixas e bandeiras de movimentos sociais, os manifestantes entoaram cantos “Sem Anistia”. Além disso, a manifesto ganhou corpo com ampla rejeição popular à PEC que visa protege congressistas e a dirigentes partidários contra a Justiça – batizada de PEC da Blindagem, da Impunidade e até mesmo da Bandidagem.
PEC da Blindagem e anistia
O estopim para a tentativa de mobilização nacional foi provocado pela Câmara Federal que, nesta semana,e aprovou a PEC da Blindagem para dificultar a prisão e a abertura de processos criminais contra deputados federais e senadores.
Em meio à repercussão negativa, o texto que chegará ao Senado Federal, tende a ser desidratado, pois conforme está, a proteção serviria até para casos que envolvam parlamentares em estupro, homicídio, pedofilia, tráfico de drogas, corrupção e outros.
Além disso, parlamentares aprovaram regime de urgência para o debate do polêmico PL da Anistia, que é formatado de forma célere e pode ser votado já na próxima semana. Neste caso, se debate a anistia irrestrita ou a redução de penas impostas pelo STF.
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