Há duas décadas na Espanha, cuiabana destaca diferenças culturais e alerta sobre ‘idealização’

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Thaisa Oliveira, 37, reside há quase 19 anos na Europa. Com destino a Málaga, no sul da Espanha, a cuiabana partiu para sua primeira experiência fora do Brasil em dezembro de 2006. O que era para ser apenas férias entre amigos, representou mudança de vida e a celebração de um novo lar. Hoje, a brasileira tem dupla cidadania e, além do país hispânico, também já morou em Portugal.

 

A decisão de se mudar de país aos 18 anos ocorreu ao conhecer um espanhol, depois de um mês e meio na viagem dos sonhos. O romance durou dois anos, mas ela continuou no país. Ao , Thaisa lembra que rapidamente dominou o novo idioma. Apesar de vários amigos brasileiros, ela procurava se aproximar dos nativos para aprender.

 

Com 2 meses morando no novo país, já se comunicava bem e estava fluente logo no primeiro semestre. Atualmente, a brasileira trabalha como garçonete e mora na região de Algeciras, na província de Cadiz, sul da Espanha.

 

A cuiabana é apaixonada por aventura e viagem, tendo visitado outros países como Bulgária e Emirados Árabes Unidos. Assim como muitos imigrantes, ela relata que mais agrada no país europeu é o poder de compra, a comida mediterrânea, o vinho e a beleza das praias espanholas.

 

“Eu amo morar na Espanha. As praias, muitas cidades lindas. Tem Madrid, tem Barcelona, Granada. Palma de Maiorca, que é lindo. É um paraíso. Visitar pontos turísticos, lagos e montanhas, eu sou aventureira”, destaca a cuiabana.

 

Apesar de gostar do país, relata que os europeus usualmente não são receptivos e costumam ter uma visão estereotipada sobre os brasileiros, especialmente as mulheres.

 

“Aqui, para nós, estrangeiros, os imigrantes, é muito complicado para quem não tem documentação. Eles pensam que a gente no Brasil está passando fome, eles pensam que a gente não tem cultura, pensam que a gente não tem educação”, pontua.

 

Diante do preconceito, ela sente falta do acolhimento e empatia do povo brasileiro. Ainda que tenha o costume de visitar a família na cidade natal e ter se adaptado ao jeito espanhol, as diferenças culturais ainda são gritantes, mesmo após quase duas décadas.

 

“Os brasileiros são muito mais amáveis e acolhedores. Os europeus são cada um por si. Com os anos, a gente vai se encaixando no mundo deles. Eu gosto de morar aqui, mas sinto falta do aconchego do nosso povo. Quando você começa a morar fora, você começa a sentir falta das pequenas coisas. Gosto de morar aqui, mas ainda prefiro meu Brasil”, explica.

 

Para os brasileiros que tenham interesse em residir em outro país, Thaisa aconselha que se preparem para uma realidade diferente da qual é idealizada e mostrada por muitos imigrantes, principalmente nas redes sociais.

 

“Quem tem um sonho, venha, mas venha consciente de que aqui não é o paraíso como a gente pensa. Não venha pensando que você não vai trabalhar, ao contrário, você vai trabalhar mais horas. Mas quem queira mudar, venha, tenha suas experiências, abrace o país e se prepare mentalmente”, orienta.

Link da Matéria – via Gazeta Digital

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