
A filha da cozinheira Fabiana Sanches Cardoso, de 42 anos, vítima de feminicídio na zona rural de Itiquira (362 km de Cuiabá), na última segunda-feira (8), convivia na mesma casa que o padrasto, Edinei Serafim de Souza, de 32 anos, acusado de abusar sexualmente da enteada e apontado como suspeito de assassinato da esposa.
Reprodução
Como revelou a promotora de Justiça do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Claire Vogel Dutra, apesar de possuir medida protetiva contra o padrasto por violência doméstica, também condenado, em primeira instância, por abuso sexual contra a enteada, à epoca com 13 anos, a menina convivia na mesma residência que o agressor. “Eles estavam todos juntos na mesma casa. A vítima com o agressor”, afirmou em tom de revolta.
O processo de abuso, porém, corre em segredo de Justiça e só veio a público porque foi relembrado na argumentação do juiz Daniel de Souza Campos durante audiência de custódia de Edinei, que converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva.
No dia da morte da mãe, a menina também teria recebido um áudio do padrasto, minutos após os disparos. Fabiana foi assassinada com três tiros. Na mensagem, ele teria avisado que matou a mãe da enteada, além de ter pedido que cuidasse do irmão mais novo, filho do casal.
Casos parecidos
A promotora chamou atenção para casos semelhantes a esse em que a mãe sabe que a filha passa por abuso, mas acoberta o companheiro.
“É muito comum acontecer isso. A mãe ter ciência de que o seu marido abusa sexualmente de sua filha, seja enteada ou filha biológica do agressor, e mantém esse relacionamento, acoberta esse crime e mantém aquela criança ali. Essa criança deveria ter sido tirada da mãe e encaminhada para um outro familiar ou abrigo para que seja resguardada a integridade física e psicológica também. Mas é uma situação muito grave que só revela a necessidade de que todos precisam efetivamente tomar providências”, enfatizou.
Dutra ainda destacou que o combate e ação pode partir de todos, não apenas de órgãos públicos, como da própria família e pessoas presentes no dia a dia das crianças.
“A escola sabendo de uma situação dessa tem que denunciar. O conselho tutelar sabendo de uma situação dessa tem que tomar providência. O Ministério Público, o Poder Judiciário…Todo mundo! Cadê a avó, o avô, o tio, a tia, alguém da família que estava sabendo disso e que não tomou providências? Cadê o dono da fazenda, o patrão? Eles moravam dentro de uma fazenda, eram funcionários. Acho que cada um tem que assumir a sua responsabilidade. Porque apontar o dedo e falar ‘é culpa do Estado que não está tomando providência’. Cada um tem a sua parcela de responsabilidade. O Estado tem e não pode se eximir dessa responsabilidade, mas ele também não está sozinho nessa situação”, declarou.
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